sábado, maio 22, 2010

JESUS SEGUNDO PETER STILWELL

Peter Stilwell, Director da Faculdade de Teologia e Vice-Reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), impulsionador do diálogo inter-religioso e intercultural, em Portugal, em Macau, ou com os académicos islâmicos do Irão, é antes de mais nada um excelente ser humano, como posso testemunhar pessoalmente.
Peter Stilwell publicou um pequeno grande livro O Meu Primeiro Jesus, integrado numa colecção destinada ao público juvenil, da D. Quixote, que está destinado a ser, como sugeriu Isabel Stilwell, sua irmã, um livro na linha do Princepezinho, de Saint- Exupéry um livro, que se lê e relê, em diferentes idades e que nos continua a interrogar permanentemente.
Peter Stilwell é um teólogo para quem Jesus, desde o primeiro Jesus que conheceu com os seus pais, tem sido uma procura permanente. Melhor de que ninguém o poeta e amigo Ruy Cinatti, o disse e imortalizou no belíssimo poema Agradecimento recordado oportunamente na apresentação deste livro por Isabel Stilwell, em que refere, nomeadamente, «Foste o meu pequenino Peter a quem roubei o “Alifas”/[o elefante de trapo(…)/E tu recompensaste-me depois mil anos múltiplos…/ó Padre Peter Stilwell, tu emprestaste-me a tua tese de [licenciatura sobre o verdadeiro Deus visto por Bultmann/(…)/esse grande teólogo da Igreja Triunfante, católico protes[tante e das galáxias!.../Obrigado Peter, beijo-te a face, sou eu que te persigo…/[e em ti, um Alifas juvenil, Jesus Cristo de cognome”.
Este livro, muito bem escrito, é como referiu o poeta, padre e biblista José Tolentino de Mendonça, um livro de um teólogo, que escreveu um livro de cristologia narrativa para crianças. Situou-o no contexto cultural da teologia narrativa, defendida por Johann Baptist Metz. O livro efectivamente valoriza as histórias para nos permitir uma interrogação radical sobre quem é esse Jesus.
Peter Stilwell dá-nos um livro que representará para muitos jovens de todas as idades, uma aproximação muito interpelante sobre Jesus.
Temos de nos libertar do que julgamos saber, para com humildade, nos deixarmos interrogar sobre Jesus e sobre um conjunto de pessoas a que o conheceram muito bem, desde o jovem que fugiu nú do Jardim das Oliveiras, a Simão, o leproso, ao jovem rico, a Maria. Peter Stilwell deixa hipóteses de interpretação para serem livremente confrontadas com textos do Novo Testamento, especialmente de Marcos, para permitir ao leitor um juízo crítico e pessoal.
O livro, como os textos dos Evangelho, é construído a partir do memorial da Morte e Ressurreição de Jesus, mas liga-os de forma original com as palavras proferidas pelo velho Simeão, quando Jesus criança foi apresentado pelos seus pais no Templo, chegado o tempo da cerimónia da purificação, quando disse a Maria sua mãe “(…) Uma grande dor, como golpe de espada trespassará a tua alma” (Lc, 2, 6-40). Como nos Evangelhos a infância de Jesus só ganha significado à luz da sua morte e ressurreição.
Peter Stilwell fala-nos do túmulo vazio e da sua ressurreição, que não foi um regresso à vida como a conhecemos, seguindo de muito perto Marcos e João, deixando-nos confrontados com as nossas perguntas e recordando na introdução a propósito, as palavras de Bento XVI, segundo as quais a ressurreição é «algo mais (…) para usar a linguagem da teoria da evolução - a maior “mutação”, em absoluto, o salto mais decisivo para uma dimensão totalmente nova, como nunca se tinha verificado na longa história da vida e dos seus avanços: um salto para uma ordem completamente nova, que tem a ver connosco e diz respeito a toda a história”.
Através das histórias que Peter Stilwell nos conta a partir da Bíblia, começamos a ver surgir um ponto no horizonte, como num deserto, e que só à medida que nos vamos conseguindo aproximar, ganhará progressivamente contornos e depois um rosto, um primeiro rosto de Jesus, para usar uma imagem que utilizou na apresentação do livro.
As ilustrações de José Miguel Ribeiro são sóbrias e conjugam-se bem com o texto.
Só posso desejar que muitos leitores se sintam com vontade de permitir que o ponto vago no horizonte, se torne num rosto próximo que ajude a descobrir quem são.

3 comentários:

JPM disse...

Olá,
Afora a questão proposital da falta de oportunidades para os jovens que ocorre no mundo todo, mas, em particular, aqui no Brasil, onde a violência cresce a olhos vistos, provavelmente a aproximação deles de Jesus, seria uma maneira altamente positiva para colocar-se esperanças na mente da meninada e brecar a violência. E livros assim devem ter seu valor em tal empreitada.
Saúde e felicidade.
João P Metz

Galeota disse...

Um livro de uma beleza cristalina.

Maria Angélica disse...

UM LIVRO QUE É UM DESAFIO AOS JOVENS E A TODOS NÓS PARA PROSSEGUIRMOS NA DESCOBERTA SEM LIMITES, FASCINANTE,DE QUEM É JESUS NA MINHA VIDA CONCRETA,E A COMPAIXÃO DINÂMICA FRENTE AOS OUTROS.SUGIRO AO AUTOR QUE NOS OFEREÇA O JESUS DA SUA ADOLESCÊNCIA E JUVENTUDE E A INFLUÊNCIA DA SUA FAMÍLIA NESTA DESCOBERTA, ATÉ AO SIM SACERDOTAL, COM A MESMA TRANSPARÊNCIA QUE LHE É PECULIAR.m.angélica