domingo, novembro 05, 2006

A CONFEDERAÇÃO SINDICAL INTERNACIONAL (CSI)

Um dos acontecimentos mais positivos da semana passada foi a constituição no dia 1 de Novembro, em Viena, da Confederação Sindical Internacional (CSI), representando 168 milhões de trabalhadores, de 155 países.
A CSI reúne 306 centrais sindicais que eram anteriormente filiadas na Confederação Internacional de Sindicatos Livres (CISL), de inspiração reformista e laica ou na Confederação Mundial de Trabalho (CMT), de inspiração cristã, e ainda outras oito importantes centrais.
Temos seguido com atenção o processo de formação da CSI que consideramos essencial para que os trabalhadores tenham trabalho decente e com direitos a nível mundial, e não mais precariedade, mais desemprego e mais arbitrariedade patronal, como escrevemos aqui (20-11-2005).
Num mundo globalizado, marcado por crescentes desigualdades, pelo poder das empresas multinacionais, por conflitos armados e pelo avançar da fome em muitos países, com excepção da China e do Brasil, é necessária a unidade orgânica do movimento sindical mundial para regular a globalização e assegurar a dignidade dos trabalhadores e para responder de uma forma mais eficaz às novas estratégias do capitalismo total.
É com satisfação que constato que na nova Confederação está representada a quase totalidade do movimento sindical lusófono: UGT de Portugal; CGSILA e UNTA de Angola; CGT, CUT, FS, CAT, CNPL e SDS do Brasil; UNTC de Cabo Verde; UNTG da Guiné-Bissau; OTM de Moçambique; ONTSTP-CS e UGT-STP de São Tomé e Príncipe. De lamentar que a CGTP-IN tenha querido ficar meramente como observadora, isto é, fora da CSI.
Nesta matéria está de parabéns a UGT pela sua clara opção internacionalista e o seu Secretário-Geral, João Proença, que foi eleito para a direcção da nova instituição.
Para secretário-geral da CSI foi eleito o sindicalista inglês, Guy Ryder.
As anteriores confederações de âmbito mundial, a CISL e a CMT dissolveram-se.
É a hora da CSI e esperamos que isto signifique o regresso dos trabalhadores ao centro dos debates políticos internacionais e à definição das grandes opções estratégicas.
Temos de reconhecer que os sindicatos e as centrais sindicais têm perdido protagonismo quer no quadro nacional, quer no quadro internacional, e que se encontram na defensiva em muitos países. São várias as razões para que assim suceda. Estão confrontados com novos desafios provenientes da globalização, que exigem novas respostas e novas propostas e, simultaneamente, com a ofensiva ideológica conservadora e liberal desencadeada contra eles.
Em alguns países europeus, incluindo Portugal, tem-se confundido o que são legítimas divergências com as posições e as estratégias dos sindicatos, com a desvalorização deliberada da importância da sua intervenção.
Os sindicatos têm também tido falta de iniciativa e não têm sabido alargar a cooperação a outros movimentos sociais com os quais podiam criar sinergias positivas.
Um exemplo recente de um erro grave foi a não entrada da CGTP-IN como membro de pleno direito da CSI.
Os sindicatos tiveram um papel histórico na conquista dos direitos humanos e sociais pelos trabalhadores e na construção do modelo social europeu. Foram sempre parceiros imprescindíveis dos partidos socialistas e sociais-democratas em todas as batalhas que contribuíram para transformações progressistas das sociedades europeias.
João Proença na sua intervenção no congresso constitutivo, afirmou: «Com a CSI assumimos como prioritário o desenvolvimento económico, e social, sustentado e sustentável e o combate à pobreza e à exclusão, a luta pela igualdade de oportunidades e contra todas as formas de discriminação, incluindo as de que são vítimas os imigrantes, o que exige de cada um de nós ser parte activa nas políticas de cooperação e solidariedade, particularmente nas relações Norte-Sul».
Partilhamos estas preocupações e continuaremos a apoiar as iniciativas que permitam concretizar estas promessas e combater com mais eficácia as deslocalizações selvagens, a desregulação social e a precariedade, que atingem cada vez mais trabalhadores.

2 comentários:

catiolas4ever disse...

"Os sindicatos têm também tido falta de iniciativa e não têm sabido alargar a cooperação a outros movimentos sociais com os quais podiam criar sinergias positivas." Estou absolutamente de acordo.
Vim aqui dar-vos os parabens pelo Congresso. Helena Roseta e Manuel Alegre estiveram excelentes e foram imprescindiveis num congresso onde ninguém contestou nada a não ser estes nossos amigos.

José Leitão disse...

Este post mereceu uma chamada de atenção no interessante blogue http://absorto.blogspot.com/ de 5 de Novembro, que agradeço.
Agradeço também as palavras simpáticas da responsável do blogue juvenil que comentou aqui o o post. Espero que venha a ter uma participação sindical.É fundamental que uma nova geração entre nos sindicatos.
Sobre o Congresso do Partido Socialista pode encontrar as intervenções da Helena Roseta e a minha, bem como um link para a do Manuel Alegre em http://solidariedadeecidadania.blogspot.com