domingo, abril 13, 2014

RECORDAR O 10.º ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL- UMA COMEMORAÇÃO DIFERENTE


MODERNIZAR A ESQUERDA, COMEMORAR A LIBERDADE

 No 10.º aniversário do 25 de Abril, após a descolonização, o PREC, a aprovação da Constituição da República, muitos militantes provenientes da esquerda radical tinham-se tornado defensores da democracia política.
Foi assim possível um encontro entre cidadãos com trajetos políticos muito diferentes, entre os quais alguns socialistas, que decidiram comemorar a liberdade contribuindo para a modernização da esquerda.
Foi um momento de convergência a que se seguiram percursos diferentes.
Considero que não devemos esquecer esse momento, e por isso divulgo, o manifesto e os seus subscritores deixando uma palavra de profunda mágoa e saudade para todos os que já morreram.
Eis o texto e a lista de todos os que o subscreveram. 
“Vinte e cinco cidadãos genericamente oriundos da esquerda radical decidiram comemorar o 25 de Abril de maneira diferente. E a diferença consistirá em não reduzir o festejo à glorificação acrítica do que foi feito - mas em aproveitar a data, para questionar a própria cultura política da esquerda tradicional, os seus mitos e os seus fantasmas, pensando novos caminhos para modernizar o País.
Para nós, festejar o 25 de Abril não é subscrever os tradicionais cheques em branco a favor das 2conquistas irreversíveis da revolução”. È essencialmente celebrar a democracia política e a liberdade. Comemorar o fim do colonialismo e do regime corporativo que o promoveu. É festejar a consagração da cidadania e dos direitos dos trabalhadores, é festejar a dinâmica da liberalização de costumes, da emancipação das mulheres e dos jovens, da despenalização do sexo e do prazer. É festejar o despontar da modernidade na sociedade portuguesa.
Festejar o 25 de Abril será também questionar valores tradicionalmente associados à esquerda, confrontá-los com os resultados efectivamente alcançados e com as realidades de um mundo em acelerada mutação.
Com este duplo objectivo de festejo - debate, e promovemos no próximo dia 25 de Abril uma iniciativa pública no Restaurante da Doca Marítima de Alcântara: pelas 12 horas inicia-se um debate aberto a que se seguirá um jantar-festa.(…).”.
O texto definia desde logo os termos do debate e as questões a que se deveria responder, concluindo-se:
Naturalmente como pano de fundo de todos estes problemas (e de outros que poderão obviamente surgir) encontra-se uma das questões centrais para os que se reivindicam uma cultura de esquerda moderna e anti-totalitária, ou seja, a questão das relações entre o Estado democrático e a sociedade civil, entre a intervenção estatal e a liberdade individual, entre a protecção social e a iniciativa de cada um”.
Terminava “ Sob o signo da liberdade vamos festejar o 25 de Abril e desafiar o futuro”.
Subscreveram: Acácio Barreiros (dputado), Afonso de Barros (prof. universitário), Agostinho Roseta (func. público) Alberto Teixeira Ribeiro (sociólogo), António Bento (engenheiro), António Carriço (engenheiro), António Corvelo (jurista), António Costa Pinto (assistente universitário), Armando Castro (prof. universitário), edgar Rocha (economista), Eurico Figueiredo (prof. universitário), Fernando Ribeiro Mendes (assistente universitário), Ferro Rodrigues (economista), João Carlos Espada (jornalista), João Faria (economista), João ferreira de Sousa (prof. universitário), Joffre Justino (economista), José Leitão (deputado), José Luís Saldanha Sanches (assistente universitário), José Manuel Félix Ribeiro (economista), José Pacheco Pereira (historiador), Luís Borges (emp. escritório), Manuel Vilaverde Cabral (prof. unversitário), Ramiro da Costa (istoriador) Teresa de Sousa( jornalista)

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