segunda-feira, junho 08, 2015

QUE CIDADANIA NO ESPAÇO LUSÓFONO?





A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é hoje uma organização política, que tende a ser não apenas uma organização de Estados, mas também de cidadãos.
A partilha de uma língua comum é uma oportunidade para o desenvolvimento da cidadania. A língua permite a expressão direta de uma espécie de cidadania natural, pré-jurídica e pré-política, se pensarmos que a participação começa por se sustentar na possibilidade de comunicação Num ensaio que podem encontrar no sítio da CPLP com o título Estudo sobre a Circulação e a Cidadania no Espaço Lusófono explico por que considero que os Estados que integram a CPLP partilham um conjunto de valores jurídicos comuns, ancorados nos direitos humanos, uma linguagem e técnicas jurídicas comuns., que nos permitem avançar nesse sentido.
Foram aprovados no Conselho de Ministros da CPLP realizado em Brasília em 2002, acordos que são facilitadores da circulação de pessoas: Acordo sobre a concessão de vistos de múltiplas entradas para determinadas categorias de pessoas; Acordo sobre a concessão de visto temporário para tratamento médico a cidadãos da CPLP; Acordo sobre a isenção de taxas e emolumentos devidos à emissão e renovação de autorizações de residência para os cidadãos da CPLP; Acordo sobre o estabelecimento de requisitos comuns para a instrução de processos de visto de curta duração; Acordo sobre o estabelecimento de balcões específicos nos postos de entrada e saída dos aeroportos para o atendimento de cidadãos da CPLP. Posteriormente foram assinados a Convenção de extradição entre os estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o Acordo sobre a concessão de visto para estudantes nacionais dos estados-membros da CPLP e um Acordo de cooperação consular entre os estados-membros da CPLP
Existe desde essa altura um projeto de Convenção-quadro relativa ao Estatuto do Cidadão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
A criação de um Estatuto de Cidadão da CPLP ou de uma Carta do Cidadão Lusófono é viável .e pode ser a base do alargamento da cidadania no espaço lusófono. Este instrumento jurídico deve assentar no reconhecimento a todos os cidadãos de vários direitos no espaço lusófono, tais como a liberdade de deslocação e de fixação de residência (dentro dos constrangimentos resultantes a outras organizações regionais, como o regime de Schengen no caso de Portugal), o reconhecimento de qualificações académicas, e profissionais, o exercício de direitos políticos e a portabilidade de direitos sociais.
A assinatura de uma Convenção Multilateral de Segurança Social da CPLP, este mês, em Díli, representa um passo decisivo na construção da cidadania no espaço lusófono.
Os progressos que se venham a verificar em matéria de cidadania no espaço da CPLP trarão vantagens para todos os seus cidadãos, incluindo para os da Guiné Equatorial.
A Assembleia Parlamentar da CPLP deve desempenhar um papel ativo na construção da cidadania no espaço da CPLP.

É possível que a CPLP seja uma verdadeira Comunidade com cidadãos dotados de direitos, e se é possível tem de vir a sê-lo. Sim, nós podemos ser uma verdadeira Comunidade.

segunda-feira, abril 06, 2015

MANHÃ DE ADÍLIA LOPES


O recente livro Manhã publicado pela Adília Lopes é um livro belíssimo, editado com o bom gosto das edições da Assírio & Alvim e, desde logo, da capa de Ilda David.

É um livro que reúne poemas, que integram uma autobiografia poética, uma viagem da autora à procura não apenas do tempo perdido, mas da sua própria identidade, mesmo se adivinhamos uma sábia mistura de memória e fingimento poético.

Algumas memórias podem suscitar perplexidades: “Em Colares, vi um buldogue branco anão em cima de uma coluna branca no jardim, de uma vivenda. É a minha recordação mais antiga (…).”

Este livro é também inseparável das excelentes fotografias que reproduz, nomeadamente, a do verão de 1964 e a de agosto de 1977, as minhas preferidas.

Adília Lopes tem sabido estar à altura do que lhe tem acontecido e transmutar em criação poética e literária os desafios com que tem sido confrontada ao longo da vida.

Di-lo, de forma alusiva: (…) Não foi por estudar muito que adoeci dos nervos aos 21 anos, foi por viver num ambiente deprimente (…).”

Junta-lhe o humor e a ironia quando escreve em Dansar: “(…) Enquanto danso, rezo pela paz. Enquanto danso, descanso. O meu pâncreas melhora. Só coisas boas (…).” Faz ironia, com uma total liberdade interior, com aquilo com que se confronta: “Eu sou 8 ou 80. Até no peso. Aos 26 pesava 39 quilos kg. Aos 50 pesava 105kg. Sou certamente a Alice no País das Maravilhas”.

A sua ironia e o seu humor é também um instrumento de intervenção.

Não me admiraria que alguns dos seus poemas se viessem a tornar virais para os defensores mais militantes dos direitos dos animais, como em 2 poemas do dia de S. Francisco de 2014Santa Teresa dizia / quando penitência, penitência / quando perdiz, perdiz “ e acrescenta, com ironia, “Para a perdiz / é sempre penitência”.

A arte poética de Adília Lopes mergulha no quotidiano, mas é tudo menos ingénua, alimenta-se de um diálogo íntimo com os autores que fazem parte de um exigente cânone literário, como, por exemplo, Almeida Garret, Sophia, Alexandre O `Neil, Marcel Proust, Robert Louis Stevenson, James Joyce, Yeats, Bernanos, Rimbaud, Selma Lagerlof, Barthes, Cristina Campo, mas também de A colher de pau de Maria de Lurdes Modesto, Enid Blyton a Condessa de Ségur, Agatha Christie.

Este é um livro de uma poetisa atenta ao quotidiano que podemos encontrar num café perto de casa a olhar para a televisão enquanto toma notas e escreve, mas sempre atenta à dor, à injustiça, ao que estraga a vida das pessoas e dos seres vivos. É preciso perceber o que de radical se esconde por baixo de uma aparente simplicidade, quando escreve. “Em Lisboa / de manhã / na sinagoga / na mesquita /na igreja de Arroios/ uma mulher/ a aspirar.”

Não foi em vão que leu muito jovem em francês, Mémoires d`une jeune fille rangée de Simone de Beauvoir, como refere neste livro.

A sua poesia é por tudo isto uma poesia não apenas autobiográfica, mas uma poesia comprometida com a nossa vida. Faz-nos falta lê-la em voz alta.

 

segunda-feira, abril 28, 2014

sábado, abril 19, 2014

SE DEUS FOSSE UM ATIVISTA DOS DIREITOS HUMANOS


 Boaventura de Sousa Santos procura neste livro resposta para os desafios colocados aos direitos humanos, quando confrontados com os movimentos que reivindicam a presença da religião na esfera pública.
Boaventura de Sousa Santos constrói a sua argumentação a partir da constatação de que, por um lado, a grande maioria da população mundial não é sujeita de direitos humanos e de uma pergunta “(…) sendo os direitos humanos a linguagem hegemónica da dignidade humana (..) os grupos sociais oprimidos não podem deixar de perguntar se os direitos humanos sendo parte  da mesma hegemonia que  consolida e legitima a opressão, não poderão ser usados para a subverter? (…) de modo contra-hegemónico?” O que conduz a outras perguntas, nomeadamente, sobre que outras linguagens de dignidade existem no mundo e se  existindo, são compatíveis com a linguagem dos direitos humanos.
É a partir deste pondo de partida que se dá o encontro crítico com as teologias políticas inspiradas pelo cristianismo, islamismo e judaísmo, bem como uma análise sobre as zonas de contacto dos direitos humanos com as teologias políticas.
Segundo Boaventura de Sousa Santos “Estes movimentos, crescentemente globalizados, e as teologias políticas que os sustentam constituem uma gramática de defesa da dignidade humana que rivaliza com a que subjaz aos direitos humanos e muitas vezes a contradiz. As conceções e práticas convencionais ou hegemónicas dos direitos humanos não são capazes de enfrentar esses desafios nem sequer imaginam que seja necessário fazê-lo.
São particularmente estimulantes do debate teológico e político os termos da resposta que procura dar aos desafios referidos, que designa como uma conceção pós-secularista dos direitos humanos, e o laço de cumplicidade que considera possível estabelecer entre o que denomina os direitos humanos contra-hegemónicos e teologias progressistas.
A luta contra o sofrimento humano injusto, contra a trivialização do sofrimento humano nos nossos dias, parece poder permitir ligar o retorno de Deus a um humanismo insurgente, trans-moderno, concreto.
São muitas e contraditórias as teologias políticas, que se afrontam atualmente, das teologias fundamentalistas às que denomina teologias progressistas, as quais considera “podem ajudar a recuperar a «humanidade» dos direitos humanos”.
O seu argumento resume-se nestes termos.”(…) um diálogo entre os direitos humanos e as teologias progressistas é não só possível como é provavelmente um bom caminho  para desenvolver  práticas verdadeiramente interculturais e mais eficazmente emancipadoras (…) o resultado será uma ecologia de concepções de dignidade humana, algumas seculares, outras religiosas(…)”.
 Assentando num amplo conhecimento, inclusive, das teologias de libertação é, pela força das coisas, um livro inacabado. Muitas páginas estão-lhe a ser acrescentadas, o que é também um elogio, pelas lutas libertadoras no mundo, designadamente, de hegemonia islâmica, conduzidas por mulheres e homens animados pela fé islâmica, mas também por outros, igualmente muçulmanos, cristãos, ou agnósticos, que baseiam o seu combate libertador em leituras seculares do islão, que desconfiam das teologias políticas islâmicas mesmo as que têm um registo libertador.
É um livro de leitura e de debate incontornável. Pretendemos sinalizar a sua importância, concordando com a linha geral da sua argumentação.

domingo, abril 13, 2014

RECORDAR O 10.º ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL- UMA COMEMORAÇÃO DIFERENTE


MODERNIZAR A ESQUERDA, COMEMORAR A LIBERDADE

 No 10.º aniversário do 25 de Abril, após a descolonização, o PREC, a aprovação da Constituição da República, muitos militantes provenientes da esquerda radical tinham-se tornado defensores da democracia política.
Foi assim possível um encontro entre cidadãos com trajetos políticos muito diferentes, entre os quais alguns socialistas, que decidiram comemorar a liberdade contribuindo para a modernização da esquerda.
Foi um momento de convergência a que se seguiram percursos diferentes.
Considero que não devemos esquecer esse momento, e por isso divulgo, o manifesto e os seus subscritores deixando uma palavra de profunda mágoa e saudade para todos os que já morreram.
Eis o texto e a lista de todos os que o subscreveram. 
“Vinte e cinco cidadãos genericamente oriundos da esquerda radical decidiram comemorar o 25 de Abril de maneira diferente. E a diferença consistirá em não reduzir o festejo à glorificação acrítica do que foi feito - mas em aproveitar a data, para questionar a própria cultura política da esquerda tradicional, os seus mitos e os seus fantasmas, pensando novos caminhos para modernizar o País.
Para nós, festejar o 25 de Abril não é subscrever os tradicionais cheques em branco a favor das 2conquistas irreversíveis da revolução”. È essencialmente celebrar a democracia política e a liberdade. Comemorar o fim do colonialismo e do regime corporativo que o promoveu. É festejar a consagração da cidadania e dos direitos dos trabalhadores, é festejar a dinâmica da liberalização de costumes, da emancipação das mulheres e dos jovens, da despenalização do sexo e do prazer. É festejar o despontar da modernidade na sociedade portuguesa.
Festejar o 25 de Abril será também questionar valores tradicionalmente associados à esquerda, confrontá-los com os resultados efectivamente alcançados e com as realidades de um mundo em acelerada mutação.
Com este duplo objectivo de festejo - debate, e promovemos no próximo dia 25 de Abril uma iniciativa pública no Restaurante da Doca Marítima de Alcântara: pelas 12 horas inicia-se um debate aberto a que se seguirá um jantar-festa.(…).”.
O texto definia desde logo os termos do debate e as questões a que se deveria responder, concluindo-se:
Naturalmente como pano de fundo de todos estes problemas (e de outros que poderão obviamente surgir) encontra-se uma das questões centrais para os que se reivindicam uma cultura de esquerda moderna e anti-totalitária, ou seja, a questão das relações entre o Estado democrático e a sociedade civil, entre a intervenção estatal e a liberdade individual, entre a protecção social e a iniciativa de cada um”.
Terminava “ Sob o signo da liberdade vamos festejar o 25 de Abril e desafiar o futuro”.
Subscreveram: Acácio Barreiros (dputado), Afonso de Barros (prof. universitário), Agostinho Roseta (func. público) Alberto Teixeira Ribeiro (sociólogo), António Bento (engenheiro), António Carriço (engenheiro), António Corvelo (jurista), António Costa Pinto (assistente universitário), Armando Castro (prof. universitário), edgar Rocha (economista), Eurico Figueiredo (prof. universitário), Fernando Ribeiro Mendes (assistente universitário), Ferro Rodrigues (economista), João Carlos Espada (jornalista), João Faria (economista), João ferreira de Sousa (prof. universitário), Joffre Justino (economista), José Leitão (deputado), José Luís Saldanha Sanches (assistente universitário), José Manuel Félix Ribeiro (economista), José Pacheco Pereira (historiador), Luís Borges (emp. escritório), Manuel Vilaverde Cabral (prof. unversitário), Ramiro da Costa (istoriador) Teresa de Sousa( jornalista)

RECORDAR O 10.ª ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL

MODERNIZAR A ESQUERDA,
COMEMORAR A LIBERDADE
 
 


domingo, abril 06, 2014

A ATUALIDADE DO GESTO DE ARISTIDES DE SOUSA MENDES


O gesto de Aristides de Sousa Mendes ao recusar a indiferença perante a sorte dos refugiados que afluíam ao Consulado de Bordéus, fugindo do avanço nazi, foi um gesto de solidariedade, diria mesmo, de fraternidade, que não foi fácil de tomar nesses tempos sombrios, em que o cálculo egoísta, a cobardia, a demissão dos bons permitiam que se afirmasse e expandisse, o que a filósofa Hannah Arendt denominou como a "banalidade do mal".
O gesto de Aristides de Sousa Mendes inscreve-se numa lógica de resistência à “banalidade do mal” em nome da sua consciência cristã, que o levava a obedecer primeiro a Deus que aos homens perante milhares de refugiados que procuravam salvar a sua vida.
Como referiu na sua defesa no processo disciplinar que lhe foi instaurado: "Era realmente meu objetivo «salvar toda aquela gente», cuja aflição era indescritível: uns tinham perdido os seus cônjuges, outros não tinham notícias dos filhos extraviados, alguns haviam visto sucumbir pessoas queridas sob os bombardeamentos alemães que todos os dias se renovavam e não poupavam os fugitivos apavorados. Quantos tiveram de inumá-los, antes de prosseguirem na louca correria da fuga!»"
Refere com clareza diversas situações e cidadãos de diferentes origens e nacionalidades, acrescentando: "Com efeito, eram numerosos entre os fugitivos, os oficiais dos exércitos dos países ocupados anteriormente, austríacos, checos e polacos, os quais seriam fuzilados como rebeldes; eram igualmente numerosos os belgas, holandeses, franceses, luxemburgueses e até ingleses, que seriam submetidos ao duro regime dos campos de concentração alemães; havia intelectuais eminentes, artistas de renome, homens de Estado, diplomatas, da mais alta categoria, grandes industriais e comerciantes, etc., que teriam a mesma sorte.
Muitos deles eram judeus, que, já perseguidos antes, procuravam angustiosamente escapar aos horrores de novas perseguições, por fim um sem número de mulheres de todos os países invadidos que procuravam evitar ficar à mercê da brutal sensualidade teutónica".
A Fundação Aristides de Sousa Mendes sempre associou a divulgação e defesa dos direitos humanos ao legado de Aristides de Sousa Mendes.
Temos de nos interrogar se nos nossos tempos não estamos também na Europa a ser cúmplices da “banalidade do mal”, naturalmente noutras formas e noutras dimensões.Como não recordar as palavras do Papa Francisco em Lampedusa que não se calou perante os milhares de imigrantes que têm ficado sepultados no mar, quando procuravam refúgio na Europa.Disse ele:“ (…)Quem de nós chorou por este facto e pelos factos como este?”. Quem chorou pela morte destes irmãos e irmãs? Quem chorou por tantas pessoas que estavam no barco? Pelas jovens mães que levavam as suas crianças? Por estes homens que desejavam alguma coisa para sustentar as próprias famílias? Estamos numa sociedade que esqueceu a experiência do chorar, do “«adecer com»: a globalização da indiferença tirou-nos a capacidade de chorar! (..) E insistiu na pergunta que também nos é dirigida: «Quem chorou?». «Quem chorou hoje no mundo?»".
Evocarmos o gesto de Aristides de Sousa Mendes não significa apenas olhar para trás para tempos relativamente aos quais temos o dever de memória para que nunca mais se repitam. É necessário retirar do gesto de Aristides de Sousa Mendes ensinamentos para o presente e para a construção de um futuro, que corresponda inteiramente para todos, ao que ficou consagrado no art.1.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem: «Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade».

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

A SOLIDARIEDADE É UMA RESPOSTA PARA REDUZIR O SOFRIMENTO COLETIVO?





CICLO DE  COLÓQUIOS DO CRC (Centro de Reflexão Cristã)
Dignidade Humana e Problemas Urgentes




Dia 28 de fevereiro de 2013, pelas 18h30m

 A SOLIDARIEDADE É UMA RESPOSTA PARA REDUZIR O SOFRIMENTO COLETIVO?


com José Pacheco Pereira
e Teresa Venda

Local: Sede do CRC
Rua Castilho, 61-2.º Dt.º-Lisboa
Metro: Marquês de Pombal
(entrada livre)

quarta-feira, janeiro 23, 2013

CONFLITOS DE GERAÇÕES OU DE CLASSES?

 

CICLO DE COLÓQUIOS CRC 2012/2013


Colóquio III

29 de Janeiro de 2013

3ª Feira, 18h30m

 

 Ciclo Dignidade Humana e Problemas Urgentes

Conflito de Gerações

ou de Classes?

 

João Ferreira do Amaral

Luís Salgado de Matos

Local: Sede do Centro de Reflexão Cristã


  Rua Castilho, 61 – 2º Dtº. Lisboa.

 

  [Metro: Marquês de Pombal]

ENTRADA LIVRE 

segunda-feira, outubro 22, 2012

3 curtas+1 doc de Margarida Leitão.
Sexta 26 de Outubro às 21h30, no Centro Cultural Malaposta

segunda-feira, junho 18, 2012

LIÇÃO DE SABEDORIA

“(…) Deveríamos pôr um aviso generalizado em todas as paróquias , igrejas , catequeses, “aulas de moral”…afirmando:” Recordem: aqui falam seres humanos, homens e mulheres, de Deus”. Ajudaria muito não confundirmos Deus com o nosso dizer e as nossas representações sobre Ele. Como sugeria o grande biblista J. L. Sicre, os católicos, nas suas missas deveriam dizer, depois da leitura e proclamação da Sagrada Escritura, não só “Palavra de Deus", mas também "Palavra de Deus e palavra humana”. Este dado simples e quase ridículo é fundamental, pois sendo esquecido, pode dar azo a hipotéticos literalismos e até erros graves, que, por sua vez, estarão na origem de neo-fundamentalismos ou de posturas fechadas”.
Bispo Albino Cleto (3 de Março de 1935 - 15 de Junho de 2012)
No livro “Em busca de um sentido: ateísmo e crença na construção da pessoa que ama
Ed Secretariado Diocesano de Evangelização e Catequese de Coimbra, 2011.

sexta-feira, junho 15, 2012

A COMPAIXÃO QUE NOS UNE


CICLO DE COLÓQUIOS 2012 do CRC (CENTRO DE REFLEXÃO CRISTÃ)


19 de Junho de 2012, terça-feira, às 18h30m


A COMPAIXÃO QUE NOS UNE


Abdool Karim Vakil
Isabel Bento
Joshua Ruah

Colóquio IV
da série

A PALAVRA DE DEUS
A BÍBLIA E O DIÁLOGO ENTRE RELIGIÕES

Local: Centro Nacional de Cultura – Galeria Fernando Pessoa


Largo do Picadeiro, nº 10, 1º - Lisboa.

[Metro: Baixa-Chiado]

ENTRADA LIVRE

domingo, março 18, 2012

O APOCALIPSE E OS MILENARISMOS




Manuscritos
de Qumran


Ciclo de Colóquios

A PALAVRA DE DEUS
A BÍBLIA E O DIÁLOGO ENTRE RELIGIÕES


Terças-Feiras, 18h30m

Colóquio II
20 de Março de 2012


O APOCALIPSE E OS MILENARISMOS

Com a participação:



Local: Centro Nacional de Cultura – Galeria Fernando Pessoa
Largo do Picadeiro, nº 10, 1º - Lisboa.
[Metro: Baixa-Chiado]
ENTRADA LIVRE


O CRC é um espaço de diálogo entre cristãos de diferentes sensibilidades, e entre cristãos e não cristãos

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

SOMOS SOLIDÁRIOS COM O POVO DA GRÉCIA

Todos os dias nos chegam imagens e notícias da Grécia e do povo grego em luta contra o cortejo de sacrifícios que lhe tem sido imposto. É clara, naquele país, a crescente fractura entre os cidadãos e o poder político, em torno da invocada necessidade de cada vez maiores sacrifícios para que a dívida seja paga e o défice orçamental reduzido. Acentuam-se a tensão e a violência, tornando ainda mais difícil o diálogo indispensável à procura de soluções mais justas e partilhadas para a situação existente.
Avolumam-se o isolamento e a discriminação da Grécia, fortemente acentuados pelo discurso dominante dos principais dirigentes europeus e da comunicação social.
A preocupação doméstica em sublinhar que “não somos a Grécia” é, no mínimo, chocante no seio da União Europeia, onde mais se esperaria compreensão e solidariedade e, sobretudo, desajustada quando se sabe que a crise não é só grega mas europeia.
Face à agudização das tensões políticas e sociais na Grécia, os signatários apelam à solidariedade com o povo grego e à criação de condições que permitam respostas democráticas e consistentes de uma Europa solidária aos problemas sociais e aos direitos das pessoas.

Lisboa, 15 de Fevereiro de 2012

Mário Soares
Mário Ruivo
Alfredo Caldeira
Ana Gomes
Ana Lúcia Amaral
Anselmo Borges
António de Almeida Santos
António Reis
Boaventura Sousa Santos
Diana Andringa
Eduardo Lourenço
Isabel Allegro
Isabel Moreira
D. Januário Torgal Ferreira
José Barata Moura
José Castro Caldas
José Manuel Pureza

domingo, dezembro 04, 2011

DEUS, O PENSAMENTO E A TÉCNICA

Centro de Reflexão Cristã
Novo ciclo de colóquios do CRC- 2011-2012
Colóquio I
13 de Dezembro de 2011
Terça-feira, às 18h30

Giovanni Greco, Deus Ex Machina (2008)
FERNANDO BELO
JOSÉ TRIBOLET
Local: Centro Nacional de Cultura – Galeria Fernando Pessoa
Largo do Picadeiro, nº 10, 1º - Lisboa.
[Metro: Baixa-Chiado]
ENTRADA LIVRE

domingo, novembro 20, 2011

O CHALET DA MEMÓRIA DE TONY JUDT

O Chalet da Memória de Tony Judt reúne os últimos ensaios publicados no New York Review of Books, escritas depois do livro Um tratado sobre os nossos actuais descontentamentos, que foi o seu testamento político e a que nos referimos aqui.
O livro está bem traduzido, e escrito de acordo com a nova ortografia portuguesa, lendo-se com grande prazer.
São crónicas construídas mentalmente durante as noites de insónia por Tony Judt numa fase já muito avançada da esclerose lateral amiotrópica (ELA), a doença de Lou Gehrig, que o vitimou e ditadas durante o dia, quando isso lhe era ainda possível.
Tony Judt combateu a doença, com força e determinação, que honra a dignidade e a coragem do género humano, mas este não é um livro sobre a doença, é sobre a vida que viveu, a situação cultural e política, porque a doença “o inferno não é uma experiência transmissível”, como escreveu Timothy Garton Ash.
A realidade da doença é-nos dada expressamente através de um ensaio intitulado Noite, que situa as condições em que surgiram estes ensaios e muito a propósito do desconforto que sente refere a Metamorfose de Franz Kafka.
É admirável como os ensaios se articulam de forma a constituírem uma construção ordenada e coerente a partir da memória decisiva de um momento marcante da sua vida, as férias de Inverno passadas em 1957 ou 1958 num chalet, “uma pequena pensione, um hotel de família na vila antiquada de Chesières, no sopé da abastada região de esqui de Villars, na Suiça francófona”.
As narrativas e ensaios têm uma subtil, mas real ligação entre si. O autor refere-o: “… durante estes pequenos exercícios, percebi que estava a reconstruir - como se fossem legos – segmentos entrelaçados do meu próprio passado que antes nunca pensei que estivessem relacionados”.
É um livro de memórias mas que nunca estão desligadas das suas opções sociais e políticas. Ao falar dos Autocarros da linha Verde e do seu cheiro, de a Comida ou dos comboios em o Desejo Mimético, o historiador e o cidadão estão bem presentes na análise crítica das involuções verificadas em matéria de políticas públicas de transportes.
O autor é um cidadão, cosmopolita, um social-democrata universalista, que não se limita a recordar, mas que através destes feuilletons, continua a intervir, com inteligência como humor e mesmo com ironia. Leiam-se, por exemplo, Paris foi ontem, Revolucionários ou Raparigas, raparigas, raparigas. São muito interessantes as reflexões que faz sobre a fase em que defendeu um sionismo de esquerda, os ensinamentos que disso retirou, e o olhar crítico sobre as políticas de identidade defendidas por muitos académicos, seus colegas da universidade.
Tony Judt tem o que se designa como uma identidade hifenizada, um inglês, que se considera nova-iorquino, um judeu assumido como se pode ver em Toni, que confessa “conheço melhor a liturgia do anglicanismo do que muitos ritos e práticas do judaísmo”, receia que o futuro nos traga demasiada identidades excludentes. Afirma; “… iremos ter saudades dos tolerantes, dos que estão à margem: a gente das franjas. A minha gente.” Daí o seu gosto pelas “cidades mundiais”, o seu amor por Nova Iorque.
Termina a sua viagem pelas recordações regressando às Montanhas Mágicas da Suiça, neste caso a Murren, onde “nunca nada ali correu mal”, evocando um pequeno comboio na montanha. Ele que tanto gostava de comboios, diz: “Não podemos escolher onde começar a nossa vida, mas podemos acabar onde quisermos. Sei onde estarei: a ir a lado nenhum em especial naquele pequeno comboio para todo o sempre”.
É um livro a ler e a reler, escrito por um ser humano excepcional, por um intelectual, que se afirmou até ao limite das suas forças como um social-democrata universalista.
Há só um aspecto em que espero, se engane. O comboio em que embarcou para todo o sempre não está condenado a ir a lado nenhum.

RELAÇÕES IGREJA / CULTURA

« Diálogo com criadores culturais não pressupõe

o silenciamento das diferenças»

O que é mais importante (criar, manter, repensar) na relação da Igreja com a Cultura?
A Igreja para manter uma relação mutuamente enriquecedora com a Cultura tem que encarar sem medo as transformações culturais, sociais e políticas e saber ler (e reler) permanentemente os sinais dos tempos. Tem que aprender a viver com naturalidade num mundo num processo acelerado e vertiginoso de mutação.
Num mundo em que as crises económicas e financeiras dos Estados até agora dominantes anunciam o advento de uma nova época e a emergência de novos Estados, línguas e culturas e em que os frutos da revolução científica e tecnológica e as novas tecnologias de informação invadem o quotidiano dos cidadãos, a Igreja tem de repensar permanentemente as suas relações com a Cultura.
Em Portugal, a Igreja tem vindo a promover uma Pastoral da Cultura que tem sido capaz de estabelecer pontes com muitos criadores culturais, crentes e não-crentes, e despertado comunidades cristãs para a importância da cultura para a pessoa humana ter acesso verdadeiro e pleno à humanidade. Naturalmente que há muito para fazer e repensar.
Num País em que a crise financeira, se transformou numa crise económica, existem riscos sérios de subalternização da importância da Cultura e do trabalho dos criadores culturais. O discurso sobre a necessidade do empobrecimento num contexto de crise corre o risco de esquecer que uma coisa é ter menos recursos para gastar, outra coisa é esquecer que não só de pão vive o homem, mas precisa de sentido e beleza. As despesas com a Cultura não são gastos, são investimentos numa sociedade mais justa, humana e solidária e contribuem para aumentar as exportações.
Não desistimos de ter esperança estamos certos que o desenvolvimento individual e coletivo é possível, mobilizando todos os recursos disponíveis, nomeadamente, o contributo dos criadores culturais, não apenas dos escritores e poetas, mas também dos cineastas, dos músicos, filósofos, dos arquitetos, dos dançarinos, de todos os criadores culturais sem exceção.
O repensar da relação da Igreja com a Cultura em Portugal passa por alargar e descentralizar o diálogo com os criadores culturais, crentes e não-crentes, ao longo de todo o País, estabelecendo pontes com os que se encontram espalhados pelo mundo e com o mundo de Língua Portuguesa.
O repensar da relação da Igreja com a Cultura deve assentar no direito de todos à cultura e à sua realização prática, no promover em cada pessoa a consciência do direito à cultura e do dever de se cultivar.
A atitude da Igreja no diálogo com os criadores culturais não pressupõe o silenciamento das diferenças e das divergências, mas deve ser marcada pelo saber escutar as críticas, as inquietações, as perguntas.
A relação da Igreja com a Cultura deve, como defendeu Júlia Kristeva, em Assis [27.10.2011], ousar a “aposta na renovação contínua da capacidade dos homens e das mulheres para crer e viver em conjunto (...) para que a humanidade possa prosseguir por muito tempo o seu destino criador”.

Este meu depoimento integra a edição de novembro de 2011 do "Observatório da Cultura" (n.º 16). Leia mais respostas à pergunta.