quarta-feira, maio 12, 2010

BENTO XVI - ENCONTRO COM O MUNDO DA CULTURA

O Papa Bento XVI encontrou-se hoje com o mundo da cultura no Centro Cultural de Belém, tendo afirmado, noeadamente:
«A Igreja – escrevia o Papa Paulo VI – deve entrar em diálogo com o mundo em que vive. A Igreja faz-se palavra, a Igreja torna-se mensagem, a Igreja faz-se diálogo» (Enc. Ecclesiam suam, 67). De facto, o diálogo sem ambiguidades e respeitoso das partes nele envolvidas é hoje uma prioridade no mundo, à qual a Igreja não se subtrai. Disso mesmo dá testemunho a presença da Santa Sé em diversos organismos internacionais, nomeadamente no Centro Norte-Sul do Conselho da Europa instituído há 20 anos aqui em Lisboa, tendo como pedra angular o diálogo intercultural a fim de promover a cooperação entre a Europa, o Sul do Mediterrâneo e a África e construir uma cidadania mundial fundada sobre os direitos humanos e as responsabilidades dos cidadãos, independentemente da própria origem étnica e adesão política, e respeitadora das crenças religiosas. Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se possui de bem, de verdade e de beleza.
Esta é uma hora que reclama o melhor das nossas forças, audácia profética, capacidade renovada de «novos mundos ao mundo ir mostrando», como diria o vosso Poeta nacional (Luís de Camões, Os Lusíades, II, 45)».

Podem ler na íntegra a intervenção de Bento XVI aqui, bem com a do bispo D.Manuel Clemente aqui, e do cineasta Manuel de Oliveira aqui.

sábado, maio 08, 2010

MANUEL ALEGRE - MUDAR A POLÍTICA E CONSTRUIR UMA NOVA ESPERANÇA

A candidatura de Manuel Alegre é a única oportunidade de vencer Cavaco Silva e impedir que se venha a aglutinar uma nova maioria de direita, tendo por base as eleições presidenciais.
Se esta razão seria só por si suficiente para não hesitar em apoiar Manuel Alegre, não tem em conta que eleger Manuel Alegre é muito mais do que isso, é uma oportunidade de mudar a política e construir uma nova esperança.
Como Manuel Alegre referiu na apresentação da sua candidatura, que pode ler na íntegra aqui: «Esta campanha será o que quiserem os homens e as mulheres, cidadãos do meu país que nada desejam para si, mas que pelo seu trabalho voluntário sabem que podem contribuir para mudar a política e construir uma nova esperança. A participação cívica é condição da renovação e revitalização da democracia. A todos, homens e mulheres que são a força e a alma de Portugal, a todos, sobretudo aos jovens, humildemente me dirijo, para que cada um, na medida das suas possibilidades, faça desta campanha uma campanha diferente que seja já, em si mesma, um sinal de mudança e de renovação»
Quem o afirma tem estado na primeira linha não apenas da renovação do socialismo democrático, mas também da acção política. Sem renegar a tradição do pensamento socialista, bem expresso pela referência simbólica a Antero de Quental, a sua intervenção tem sido marcada pela abertura permanente ao novo e à necessidade de mudar a política, recorrendo ao debate aberto, às novas tecnologias, editando uma revista socialista on-line, que pode recordar aqui, antecipando novas formas de fazer política, que nos recorda a criatividade e a imaginação social da esquerda democrática americana, de que Barack Obama é a expressão presente.
Define com lucidez os desafios com que estamos confrontados: «Hora de responsabilidade, de verdade e de solidariedade. Hora, também, para, no quadro das dificuldades existentes, tudo fazer para preservar o Estado Social. O país tem de ser mobilizado. Mas só o será se compreender o sentido das medidas e dos sacrifícios que lhe são pedidos. E por isso, além de rigor e austeridade, é necessária uma grande exigência ética. Contra os predadores do mercado, a única resposta tem de ser a mobilização geral para uma estratégia de crescimento económico. Sem abdicar do papel do Estado, quer no investimento público susceptível de estimular a economia e o emprego, quer no combate às desigualdades salariais e na adopção de políticas de uma mais justa redistribuição de rendimentos».
Manuel Alegre não esconde a sua condição de socialista, mas a sua candidatura é supra-partidária, mas não neutra. Dirige-se a «todos os democratas, de todos os quadrantes, que desejam um Presidente que seja uma alternativa, não de governo, mas de atitude, de pensamento, de uma outra visão de Portugal e do mundo».
Uma candidatura que pretende mudar a política e construir uma nova esperança, aposta nos cidadãos: «Os portugueses saberão corresponder. Com uma condição: não pode haver sacrifícios para quase todos e benefícios apenas para alguns. Mais do que nunca seria necessário promover um plano concertado entre Governo, partidos políticos e parceiros sociais. Sem apagar as diferenças e as divergências, há que realizar esforços no sentido de se tentar a máxima convergência para defender o interesse nacional, de modo a que se possa enfrentar a crise sem pôr em causa os direitos sociais dos cidadãos, sobretudo dos mais fracos e desprotegidos ».
Os jovens tem todas as razões para ver em Manuel Alegre, um companheiro de luta, e o sucesso da campanha e do País vão depender muito do seu contributo.
Como afirmou Manuel Alegre: «Por tudo isso dirijo daqui um apelo para que as novas gerações façam ouvir a sua voz, para que se reencontrem com as suas causas, para que mostrem o que pretendem construir e não privem o país do seu contributo decisivo. Por vezes parece que nos comprazemos em nos subestimarmos como povo, como se estivéssemos condenados à decadência. Portugal é um dos mais velhos países da Europa. Mas pode voltar a ser um país novo e de vanguarda, se as novas gerações forem capazes de partir para novos sonhos e novas descobertas».
Não é possível adiar a esperança, não podemos adiar o apoio a Manuel Alegre.

domingo, maio 02, 2010




Conferências de Maio 2010 do Centro de Reflexão Cristã (CRC)

RENOVAR A IGREJA, ANIMAR A SOCIEDADE

1 – A Ousadia da Esperança

Dia 4 de Maio, 3ª feira, 18h30m
Eugénio Fonseca
João Wengorovius Menezes
Lourenço de Almeida


2 – Conversão Contemporânea e Criação Cultural
Dia 18 de Maio, 3ª feira, 18h30m
Fr. Bento Domingues
Emília Nadal
Jacinto Lucas Pires
Pandora da Cunha Telles

3 – A Coragem de Agir
Dia 25 de Maio, 3ª feira, 18h30m
Francisco Sarsfield Cabral
José Leitão
P. Peter Stilwell


4 – A Demanda no Mundo da Incerteza
Dia 31 de Maio, 2ª feira, 18h30m
Eduardo Lourenço
P. José Tolentino de Mendonça
Maria de Sousa

Local: Centro de Estudos da Ordem do Carmo
Rua de Santa Isabel, 128-130. Lisboa
[Metro: Rato]
ENTRADA LIVRE


Para uma informação sobre os conferencistas consultar aqui o blogue do CRC, de onde retirei a imagem.

domingo, abril 25, 2010

CPLP - AVANÇOS NA CIRCULAÇÃO E NA CIDADANIA


O novo mundo que a revolução do 25 de Abril tornou possível, criou condições para que se viesse a institucionalizar, vários anos depois, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que pode conhecer melhor aqui.
Na passada semana no quadro dos Dias de Desenvolvimento, que pode conhecer aqui, tive oportunidade de fazer o ponto de situação dos progressos realizados em matéria de convenções sobre Circulação e Cidadania no quadro da CPLP.
A CPLP pretende ser desde o início uma Comunidade fundada num sentimento de particular solidariedade entre os seus membros, que tem por base a partilha de valores e finalidades comuns, num sinal de identidade, que é determinante para a definição dos seus objectivos.
Tive oportunidade de referir no Estudo sobre Circulação e Cidadania (2009), que pode ler aqui, o património jurídico comum dos seus Estados-membros e ao facto de serem todos amigos do Direito Internacional e favorecedores do seu desenvolvimento.
Em matéria Circulação estão em vigor as chamadas convenções de Brasília, a saber: Acordo sobre a concessão de vistos de múltiplas entradas para determinadas categorias de pessoas; Acordo sobre a concessão de visto temporário para tratamento médico a cidadãos da CPLP; Acordo sobre a isenção de taxas e emolumentos devidos à emissão e renovação de autorizações de residência para os cidadãos da CPLP; Acordo sobre o estabelecimento de requisitos comuns para a instrução de processos de visto de curta duração; Acordo sobre o estabelecimento de balcões específicos nos postos de entrada e saída dos aeroportos para o atendimento de cidadãos da CPLP. Os acordos sobre a concessão de visto de estudante e de cooperação consular entre os Estados-Membros prosseguem o processo de ratificação e esperamos que entrem em breve em vigor.
Existe um défice de informação sobre os acordos existentes em matéria de Circulação, inclusive entre os profissionais da comunicação social, que tem de ser encarado de frente, criando-se condições para que todos cidadãos da CPLP os conheçam e sejam promovidas acções de informação generalizada. No último ano e depois de vários anos de debate sobre o Projecto de Convenção Quadro sobre o Estatuto do Cidadão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa existem condições objectivas para que possa ser aprovado na VIII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP a realizar de Luanda, por três razões.
A primeira é o facto do texto ter merecido consenso na sua actual versão por parte do Grupo de Trabalho sobre Circulação e Cidadania, consagrando um projecto de convenção, de aplicação gradual e de geometria variável, que assenta no respeito pelo direito dos Estados-Membros.
A segunda razão radica no grande empenhamento da Assembleia Parlamentar da CPLP (AP-CPLP) para que os governos aprovem o projecto de Convenção Quadro do Estatuto do Cidadão da CPLP e o enviem aos seus parlamentos para ratificação como foi manifestado na II Reunião da AP-CPLP, que teve lugar nos passados dias 8 a 10 de Março de 2010 em Lisboa, como refere o comunicado final que pode ler aqui.
A terceira razão tem a ver com evolução constitucional verificada em Angola, que tinha já uma lei dos estrangeiros que facilitava a adesão àquela Convenção. A actual Constituição de Angola, que pode conhecer aqui, criou condições para que Angola possa estar na linha da frente em matéria de Estatuto de Cidadão da CPLP.
O art.25.º (Estrangeiros e apátridas) consagra como princípio geral que os estrangeiros e apátridas gozam dos direitos, liberdades e garantias fundamentais, bem como da protecção do Estado (n.º1), com as excepções previstas (n.º2). Contudo, o n.º3 do mesmo artigo estabelece:
«Aos cidadãos de comunidades regionais ou culturais de que Angola seja parte ou a que adira, podem ser atribuídos, mediante convenção internacional e em condições de reciprocidade de direitos não conferidos a estrangeiros, salvo a capacidade eleitoral activa e passiva para os órgãos de soberania».
Não oferece dúvidas que a CPLP cabe no conceito de comunidades culturais, não esquecendo que a língua oficial de Angola é o português (art.19.º, n.º1).
É a hora dos Estados-Membros da CPLP reconhecerem aos seus cidadãos, sem mais delongas, o Estatuto por que anseiam desde a Cimeira de Maputo.
Se assim acontecer, Luanda marcará para sempre o imaginário dos cidadãos da CPLP.

domingo, abril 11, 2010

O MIÚDO QUE PREGAVA PREGOS NUMA TÁBUA DE MANUEL ALEGRE

Esta novela de Manuel Alegre, pode ler-se como uma viagem, através de diversos fragmentos que acorrem à memória, ou dito de outra forma, como uma pergunta pela identidade. Nas palavras de Manuel Alegre: «a história é uma pergunta sem resposta, e as personagens são as metamorfoses por que passa o miúdo que fazia essa pergunta sentado num parapeito a olhar as águas que vão por sobre a ponte do rio Águeda».
O prazer da escrita que este livro nos proporciona, tem a ver com a escrita ágil, depurada, precisa, mas também com a forma como a pergunta sobre a identidade se vai estruturando, não através de uma resposta, mas apenas através de actos, através dos quais o miúdo que pregava pregos se vai construindo na sua singularidade. O miúdo que pregava pregos numa tábua, vai ser também a do que engoliu os comprimidos do avô, o que deslizava na água como se contasse as sílabas pelos dedos, o que falhou o tiro na seixa e deixou o seu pelotão com estômago a dar horas, o que ficou com os ouvidos a chiar depois da bazucada entre Nambuangongo e Quipedro, o que sentiu o bafo da terra no rebordo da cratera do vulcão Santiago na Nicarágua, o que não deixaram adormecer quando o ritmo se perdeu dentro dele, o que esteve fechado numa cela da prisão da PIDE em Luanda. De muitos fragmentos é feita uma vida, ou como diz Manuel Alegre, «Vida de tantas vidas, na tão curta vida».
Este livro pode ser lido à luz das artes poéticas, que escreveu Sophia de Mello Breyner Andresen, através das quais perseguia o real, buscava uma relação justa com as pessoas e as coisas. O miúdo que pregava pregos numa tábua apreende cedo a indignar-se com a injustiça, quando vê o médico amigo do avô ser arrastado por uns sujeitos de gabardina.
Este livro fala de uma viagem singular, mas é um livro, de que o autor disse «- Está muita gente a escrever comigo». Manuel Alegre insere-se numa genealogia poética. Sophia e Miguel Torga fazem parte da sua família poética, mas também João Roiz Castelo Branco, Sá de Miranda, Luís de Camões, Camilo Pessanha, Fernando Pessoa ou Mário de Sá-Carneiro. Todos eles fazem parte não apenas do código genético da poesia de língua portuguesa, mas também do seu cânone.
É um livro habitado pelos sons e pela música, pelo fado, pelo alarido e alarme dos sinos, pelo trilo no Verão, pelas cigarras, pelo trinado do rouxinol, do melro, da toutinegra, do pintarroxo, do pisco, pelo Concerto n.º 2 de Rachmaninov, pela Polonaise de Chopin, a Rapsódia Húngara n.º 2 de Listz, pelo próprio hino Nacional, pelas músicas brejeiras de A Saia da Carolina ou Ó Rosa Arredonda a Saia, o Concerto n.º 5 de Beethoven, Mozart, Bach, Vivaldi ou Amália.
Comecei por dizer nesta leitura pessoal deste livro, que deve ser confrontada e completada com o que disse a Prof.ª Doutora Paula Morão aqui ou pelo próprio Manuel Alegre aqui, que esta novela pode ser lida como uma pergunta pela identidade. Talvez se possa dizer que ao longo do livro há uma única pergunta, que nome tinha o miúdo de que nos fala o livro e que fala no livro.
Não é apenas Sophia no seu quarto de hospital que responde “Que nome tinha” completando o seu poema «Ia e vinha / E a cada coisa perguntava».
Que nome tinha é a mais radical questão que se pode colocar quando, como diz o autor, não se sabe sequer «quem é quem».
Este livro traz-nos uma certeza, a terra continua a tremer dentro do miúdo que pregava pregos numa tábua, o pulsar do mundo bate no coração de um homem, há um livro por acabar para o miúdo que pregava pregos numa tábua. Que esse livro em aberto continue a ser escrito por Manuel Alegre, mas que haja cada vez mais gente a escrevê-lo com ele, transformando-se num rio caudaloso, mas tranquilo, que invade com as suas canções as praças do meu País.

domingo, abril 04, 2010

AGENDA CULTURAL (36)


Apresentação do novo livro de Manuel Alegre
O Múdo Que Pregava Pregos Numa Tábua
Quarta-feira, 7 de Abril, às 19h30m
Palácio Galveias
Biblioteca Municipal Central
Campo Pequeno - Lisboa
O livro será apresentado pela Professora Doutora Paula Morão

sábado, abril 03, 2010

REGISTO


OS PECADOS DA IGREJA

Estamos aos pés da Cruz num momento em que os pecados da Igreja, mesmo os pecados dos sacerdotes, indignam o mundo e ofuscam a imagem do Reino de Deus. Aos pés da Cruz, compensemos com amor renovado a tristeza provocada pelos pecados da Igreja, e recorramos humildemente à Cruz como “trono da graça”, amor que nos redime. Com amor e humildade peçamos, por intercessão de Maria: Senhor, perdoai os pecados da vossa Igreja.

Excerto da homília de Sexta-Feira Santa do Bispo de Lisboa, o Cardeal-Patriarca, D. José Policarpo, que pode ler na íntegra aqui.

domingo, março 28, 2010

I CONGRESSO INTERNACIONAL DOS ADVOGADOS DE LÍNGUA PORTUGUESA

Os advogados dos países de língua portuguesa estão empenhados em ser uma força activa e interveniente nos seus países na defesa da justiça, dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e na afirmação da língua portuguesa nas instituições internacionais.
O I Congresso Internacional dos Advogados de Língua Portuguesa, promovido pela UALP (União dos Advogados de Língua Portuguesa), sobre os desafios da advocacia de língua portuguesa num mundo sem fronteiras, realizado em Lisboa nos passados dias 22, 23 e 24 de Março, com cerca de seiscentos advogados de Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe, Moçambique, Timor-Leste e da Região Administrativa Especial de Macau, foi revelador de uma dinâmica de relacionamento crescente entre as suas Ordens e a Associação de Advogados de Macau, mas também da vontade de cooperação mais estreita entre advogados, como podem ver aqui.
Foram discutidas, em primeiro lugar, “Prerrogativas dos Advogados como Garantias dos Cidadãos”, no que se refere concretamente ao Advogado perante o Estado de Direito, o Poder Judicial, e a Sociedade.
Na sessão relativa ao “Sigilo Profissional” foram abordadas: a confidencialidade entre Advogado e Cliente; escutas e buscas em escritórios de advogados; criminalização da violação de sigilo. Foram também muito interessantes as comunicações sobre “Inscrição Obrigatória", nomeadamente, as relativas aos limites éticos da profissão e a função social das Ordens.
Verificaram-se comunicações de grande qualidade de advogados, como, por exemplo, Cézar Britto (Brasil), Roberto Busato (Brasil), Álvaro Rodrigues (Macau) e Manuel Gonçalves (Angola), unidos por uma cultura e valores jurídicos comuns expressos na Língua Portuguesa. No que se refere à participação portuguesa, é de realçar o empenhamento do Bastonário, António Marinho Pinto, na concretização e no êxito da iniciativa e a qualidade das comunicações de António Pinto Ribeiro e de Daniel Proença de Carvalho, bem como, as intervenções do Ministro da Justiça, Alberto Martins, e do Secretário de Estado da Justiça e da Modernização Judiciária, José Magalhães.
Subjacente a todos debates esteve sempre a preocupação com a qualidade do Estado de Direito e os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos na defesa dos quais os Advogados têm um papel insubstituível a desempenhar.
Como referiu José António Pinto Ribeiro: «Os Advogados têm um papel essencial a desempenhar na luta pela consagração e defesa do Estado de direito. Eles devem discutir e consensualizar esses valores e defendê-los intransigentemente, assim fazendo com que a UALP e eles cumpram o seu ideal. Como escreveu António Vieira “ viver é fazer, quem não faz não vive, apenas dura”».
O anúncio desde já da realização do II Congresso em Angola, em Março de 2012, deve permitir definir com tempo uma agenda e uma ordem de trabalhos que permita, designadamente, reforçar a presença da advocacia de língua portuguesa nas organizações internacionais, como foi defendido por muitos participantes, e avançar de forma serena, gradual, com geometria variável, em matéria de circulação de advogados. Será importante para isso que sejam divulgadas amplamente as comunicações e as conclusões.
Este facto reveste-se de grande responsabilidade para as Ordens de Advogados e para a Associação de Advogados de Macau, porque na actual estrutura da UALP é a elas que cabe o papel catalizador desta dinâmica.
Jorge Sampaio, advogado, e antigo Presidente da República, referiu na sessão de boas vindas, o orgulho que sentia em ter estado associado à criação da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) tendo em conta tudo o que tem vindo a ser realizado na sequência daquele acto, a que não foi alheia a realização deste Congresso, para além de ter deixado pistas a explorar para a afirmação da advocacia de língua portuguesa a nível das instituições internacionais.
Estou certo que todos os que participámos neste Congresso podemos dizer, com orgulho, nós estivemos lá, porque são enormes as possibilidades de construção em comum de actos concretos de cooperação. Só resta prosseguir e aprofundar o que começou a ser feito, até porque, como escreveu Luís de Camões, em Os Lusíadas «...pois é fraqueza / Desistir-se de cousa começada».

domingo, março 14, 2010

XXV ANIVERSÁRIO DA MESQUITA DE LISBOA

Comemorou-se esta manhã o XXV aniversário da Mesquita de Lisboa, que contou com a presença do Primeiro-Ministro, José Sócrates, do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, de representantes de várias confissões religiosas e de outros autarcas e de convidados, representativos de diferentes sectores sociais, para além de muitos fiéis muçulmanos.
A cerimónia começou com a recitação de versículos do Alcorão, pelo Sheik David Munir, Imam da Mesquita Central de Lisboa.
A mensagem de boas vindas de Abdool M. Karim Vakil, Presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL), foi muito significativa e merecia ser editada e divulgada juntamente com os versículos do Alcorão recitados pelo Sheikh Munir, pelas mensagens de António Costa e José Sócrates e pela intervenção do Prof. AbdoolKarim Vakil, membro da comunidade, Professor/historiador do King’s College de Londres.
Destaco algumas afirmações de Abdool M. Karim Vakil: «Portugal é um exemplo de convivência harmoniosa e fraterna entre todos os seus cidadãos, independentemente da sua religião, raça ou cultura».
Mais adiante lembrou: «Sem dúvida que se Deus quisesse, seríamos um único povo e uma única comunidade religiosa, mas foi Sua vontade que fossemos povos diferentes e que nos aproximássemos Dele por diferentes caminhos, mas sempre através do Bem e da Justiça deixando-Lhe o julgamento final, porque só Deus tem o poder para nos julgar», tendo referido a fundamentação das suas palavras no Alcorão. Deu conta da evolução positiva que se tem verificado em Portugal, após a entrada em vigor da Lei da Liberdade Religiosa e da Comissão da Liberdade Religiosa, dando, designadamente o exemplo «das assistências hospitalar, coordenada pelo Padre José Nuno e também prisional, que necessitaram de ser adaptadas devido aos requisitos especiais para os nossos irmãos das diversas religiões, como a Judaica, Muçulmana, Bahai, Hindu, Budista e Sikh, no que toca às regras a observar na alimentação e na assistência religiosa aos doentes e reclusos».
Ao concluir, reafirmou: «É portanto fácil para mim acreditar, que Portugal tem todas as condições para ser um harmonioso mosaico de culturas e religiões e não uma mera manta de retalhos. Para isso, no entanto, temos de continuar a fomentar diálogos e os encontros para deixarmos de ser um povo de “uns e outros” e passarmos a ser “todos”».
António Costa referiu-se ao percurso efectuado na sociedade portuguesa desde o tempo em que os edifícios de outras confissões religiosas não podiam ter porta para as ruas, até à actual liberdade religiosa, passando pela Lei da Separação da Igreja do Estado. Recordou, nomeadamente, que essa era também a tradição de Lisboa no tempo de governo muçulmano, citando a este propósito a Crónica de um Cruzado, que participou na conquista de Lisboa em 1147, referindo que a numerosa população que habitava a cidade se devia à liberdade de religião que nela se vivia antes desse acontecimento.
AbdoolKarim Vakil proferiu uma palestra sobre o tema “A Mesquita e o Mundo: Islão e Muçulmanos em Portugal entre a História e o Quotidiano” onde abordou a forma como se verificou o crescimento da comunidade islâmica, os obstáculos que foram ultrapassados até à inauguração da Mesquita em 1985, bem como, o caminho percorrido posteriormente, tendo concluído: «No contexto do momento que corre, marcar e celebrar em 2010 com a presença de representantes do Estado e da Sociedade civil entre muçulmanos e não muçulmanos os 25 anos da inauguração da Mesquita de Lisboa, é mais do que nunca importante. Comemoramos mais do que um mero marco simbólico: reafirmamos o direito de cidade conquistado pelos cidadãos muçulmanos em 1985».
A encerrar a cerimónia, José Sócrates, que foi honrado com a atribuição da qualidade de sócio honorário da Comunidade Islâmica de Lisboa, saudou o contributo dado pela CIL ao País, um exemplo de integração harmoniosa, afirmando que o Estado é laico, mas a sociedade não é laica, é tolerante e a importância que o governo confere ao respeito pela liberdade religiosa.
Estão patentes na Mesquita uma exposição relativa ao espólios de Arte Islâmica dos museus de Alcácer do Sal e de Sesimbra e uma outra, fotográfica, sobre os momentos mais significativos da história da CIL.
Tenho acompanhado muitos momentos significativos da vida desta Comunidade nos últimos anos e considero que todos, muçulmanos, católicos e outros cristãos, judeus, hindus, bahais, budistas, sikhs, agnósticos e ateus, temos o dever de continuar a construir uma sociedade em que todos sejamos igualmente cidadãos.
Devemos felicitar a CIL pelo XXV Aniversário da Mesquita de Lisboa e pelo seu contributo exemplar para o diálogo intercultural e inter-religioso.
Vista parcial da entrada central da Mesquita de Lisboa. Imagem retirada do sítio da CIL que pode consultar aqui e ver mais imagens da Mesquita aqui.

domingo, março 07, 2010

PORTUGAL MOÇAMBIQUE - UMA RELAÇÃO PRÓXIMA

A recente visita de José Sócrates a Moçambique foi um passo muito positivo no reforço de laços de confiança entre os dois Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, como podem ver aqui.
Com um humor involuntário, o jornal Público resumiu a visita nestes termos “Muitos milhões e pouca política” como podem ver aqui. Referem-se, é claro, ao facto de José Sócrates não ter, e fez muito bem, misturado a pequena política interna com os objectivos da viagem. Na realidade, foi uma viagem com muita política, a que é portadora de futuro e que se traduziu no reforço das relações económicas, culturais e políticas entre os dois países.
As relações económicas entre os dois países tiveram nesta viagem um significativo impulso. Para além da criação do novo Banco Luso-Moçambicano de Desenvolvimento, assinale-se o reforço das relações nas energias renováveis, na criação de linhas de crédito e vários acordos empresariais que podem ver aqui.
As relações políticas ficaram fortalecidas com os documentos assinados, que pode conhecer aqui, entre os quais o que institui consultas políticas regulares ao mais alto nível de dois em dois anos, reunindo os Governos dos dois países.
É muito positivo que o Presidente da República de Moçambique, Armando Guebuza tenha afirmado “Acredito que esta é uma parceria para valer”.
As relações culturais, foram objecto da assinatura de um Protocolo Quadro de Cooperação, que refere “o incremento da circulação de informação sobre o sector cultural e as actividades desenvolvidas na área da cultura, nomeadamente, mas não exclusivamente, nos domínios do teatro, da música, da dança e bailado, das demais artes, da museologia, da arqueologia, dos arquivos, das bibliotecas, do livro e da leitura”. A cooperação cultural é uma área a privilegiar no relacionamento entre os dois países e é muito maior do que se poderá depreender desta leitura.
Não deixa de ser positivo que do programa da visita tenha feito parte um concerto de Mariza, portuguesa de origem moçambicana, a maior intérprete actual do Fado a que me referi aqui.
Moçambique é a pátria de grandes escritores da Língua Portuguesa como o poeta José Craveirinha, Prémio Camões, Mia Couto, um dos escritores mais lidos em Portugal, a que me referi aqui, e tenha sido um escritor moçambicano, João Paulo Borges Coelho o premiado com o Prémio Leya para a melhor obra de Língua Portuguesa em 2009 com o livro “O Olho de Hertzog” que lhe foi entregue por Manuel Alegre, que referiu a importância dos escritores moçambicanos, como pode ler aqui.
Moçambique é também um dos países da CPLP com tradição cinematográfica e bons realizadores como João Ribeiro, Sol de Carvalho e Licínio Azevedo e têm-se verificado a realização de filmes, envolvendo produtores e técnicos portugueses, mas existem dificuldades, nomeadamente, ao nível da distribuição. Esta é uma área em que a cooperação cultural pode ter futuro e contribuir para dar novo alento ao cinema moçambicano e, é pena, que não seja referida expressamente.
Portugal e Moçambique têm que aprofundar o novo relacionamento na base da igualdade, do respeito e da solidariedade, que construíram depois do fim do colonialismo.
O reforço do papel de cada um destes países no mundo só tem a ganhar com uma parceria mais efectiva entre eles.
Tenho verificado que muitos moçambicanos quando vêm a Portugal pela primeira vez têm uma agradável surpresa com o país que encontram e com a forma como são recebidos, porque tinham ideias erradas sobre a forma como são vistos entre nós.
Devo acrescentar que também creio que os portugueses ficariam também agradavelmente surpreendidos com descobrir o novo Moçambique, um crescente destino turístico, e a simpatia dos moçambicanos.
A visita de José Sócrates contribuiu não apenas para o reforço das relações entre os Estados, mas foi um incentivo para um maior conhecimento e cooperação entre os cidadãos dos dois países.

domingo, fevereiro 28, 2010

MANUEL ALEGRE - A CANDIDATURA NECESSÁRIA À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA



Portugal vai ter de enfrentar grandes desafios nos próximos anos, resultantes da necessidade de criarmos condições para retomarmos o crescimento económico e o desenvolvimento, num quadro político difícil e no contexto de uma crise internacional, que não está ultrapassada.
A circunstância de não existir um governo com maioria parlamentar tem sido aproveitada pelas oposições para procurar bloquear a acção do governo através de alianças irresponsáveis e contra natura que visam obrigar o governo a tomar medidas com enorme impacto financeiro, que comprometem o saneamento financeiro.
São atitudes que têm sido denunciadas, por exemplo, por Rui Namorado no blogue O Grande Zoo aqui e aqui e por António Barreto na entrevista ao Expresso de 27 de Fevereiro de 2010, que vale a pena ler aqui.
Como refere Pedro Adão e Silva no blogue Léxico Familiar aqui, verificam-se sinais de crise sistémica a que temos de estar atentos, como podem ver aqui.
Neste contexto marcado por uma perigosa promiscuidade entre a justiça, a política e a comunicação social, com laivos de justicialismo e populismo, era preciso que tivéssemos um Presidente da República, que inspirando-se na Constituição fosse o catalisador das energias regeneradoras do País.
A situação é suficientemente complexa para exigir o contributo responsável de todos na prossecução do bem comum, sendo naturalmente de assacar maiores responsabilidades a todos os titulares de órgãos de soberania e a todos os que exercem poderes aos mais diversos níveis.
O folhetim das escutas de Belém e a comunicação ao País de Cavaco Silva, o seu silêncio perante os laivos de justicialismo e perante derivas parlamentares como a pretendida audição do Primeiro-Ministro na Assembleia da República, demonstram que temos um Presidente da República que não sabe ser inspirador e catalisador, que é parte dos problemas e não sabe ser parte das soluções.
Tudo isto torna cada vez mais necessário um Presidente da República que nos incite a vencer os desafios. Como referi aqui Manuel Alegre confia nos portugueses e no futuro de Portugal, e é capaz de definir a agenda política e de nos mobilizar para as batalhas necessárias para a concretizar.
É necessário ler na íntegra o discurso de Manuel Alegre em Coimbra aqui, de que destacamos:
Não me candidato para promover a queda de governos, nem para governar por interposta pessoa, mas para inspirar o cumprimento do projecto que está inscrito na Constituição: democracia política, democracia económica, democracia social. Mas também uma cidadania moderna alargada à multiplicidade de identidades, à inclusão, ao reconhecimento da participação política aos não nacionais, à não discriminação das pessoas com incapacidades, à protecção das pessoas em situação de dependência, aos novos direitos surgidos dos avanços científicos e tecnológicos, aos novos direitos emergentes, como o direito à segurança vital (água potável, energia, alimentação), bem como o direito à protecção do ambiente, à diversidade de orientação sexual e ao desenvolvimento pessoal.
Portugal está a viver um clima de suspeição, insinuação e crispação que contamina a saúde da República. Há que repor rapidamente a normalidade democrática, a cooperação institucional, o primado do interesse nacional sobre o excesso de tacticismo, de cálculo e de intriga política
”.
Precisamos de um Presidente que promova a mobilização dos cidadãos pelas ideias, pelo exemplo pelo projecto para Portugal. É necessário que o PS e todos os partidos de esquerda, movimentos de cidadãos se unam em torno da candidatura de Manuel Alegre, que pode conhecer melhor aqui.
Não podemos adiar a decisão. Os dados estão lançados. A alternativa é entre Manuel Alegre e Cavaco Silva.
Fernando Nobre tem feito um excelente trabalho na AMI, e é desejável que assim continue, mas não tem a experiência política necessária para esta função, nem ideias, nem projecto, que lhe permita unir os portugueses.
Como afirmou Manuel Alegre: “Vivemos um momento difícil, que deve ser enfrentado com palavras claras e uma atitude inspiradora”.
É urgente dar toda a força de que formos capazes à candidatura presidencial de Manuel Alegre.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

AGENDA CULTURAL (35)

A Europa, os muros da repartição e as migrações
Para saber mais ler aqui
Alerta professor de Coimbra
Política europeia de migração vai agravar “precariedade da mão-de-obra”

domingo, fevereiro 07, 2010

OUVI DO VENTO DE MANUELA SILVA

Manuela Silva foi sempre uma economista comprometida com a erradicação da pobreza e da exclusão social, com a satisfação das necessidades básicas de todos os cidadãos e com a defesa da igualdade de direitos da mulher.
É também uma militante católica que foi, designadamente, presidente do CRC (Centro de Reflexão Cristã), presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz e que é presidente vitalícia da Fundação Betânia, que pode conhecer melhor aqui
O livro Ouvi do Vento editado pela Pedra Angular reúne um conjunto de escritos do mês que Manuela Silva foi colocando no sítio da fundação Betânia de Maio de 2003 a 2009. Continuam a ser colocados novos escritos neste sítio, como este de Fevereiro de 2010 que pode ler aqui, continuando disponíveis em suporte informático, os que foram reunidos neste livro.
São textos de reflexão pessoal, que não perderam actualidade e animados “por um fio condutor em sintonia com os propósitos da Fundação Betânia” como refere Manuela Silva em jeito de apresentação.
O livro é um convite «ao recentramento no essencial, para que seja possível espreitar novos horizontes e decantar as perguntas que sempre assomam na nossa existência».
Percebe-se ao lê-lo, o que anima a persistente luta de toda a vida pela justiça e pela paz de Manuela Silva.
Mas o livro convoca-nos a que estejamos atentos a ouvir o vento.
O texto, intitulado Um modo de vida justo, tem como epigrafe uma frase de Dom Helder Câmara, incitando-nos a «colocar o ouvido no chão para escutar a realidade».
Como referiu Isabel Allegro de Magalhães, na inteligente apresentação que fez que podem ler aqui, intitulada “Aprendizagens do ouvido: o chão e o vento, à volta de Ouvi do Vento de Manuela Silva”, nalguns casos na Bíblia o vento surge como figura do Espírito de Deus.
É um livro a ler e a reler, por qualquer ordem, ou ao acaso, no metro, no autocarro ou no comboio, à espera numa fila, num intervalo de trabalho, numa mesa de café frente ao rio/mar, em qualquer circunstância em que possamos, por uns momentos pormo-nos à escuta do essencial.
Para quem vive apressado, pressionado pela urgência de transformar o mundo, é preciso dizer, que esta escuta a que Manuela Silva nos convida, não nos distrai do que estraga a vida das pessoas, as esmaga ou oprime, mas pelo contrário dá-nos uma nova energia para sermos “seres de protestação” na expressão de Leonardo Boff, cujo sentido, desenvolve num dos textos.
A vida, é contudo, muito mais que as nossas lutas por muito importantes que sejam, é necessário descobrirmos a vida que nasce do silêncio, a sabedoria de ir para além da ansiedade, a necessidade de ter centro em cada lugar e circunferência em lugar nenhum, porque somos seres de desejo e uma insaciável sede de infinito sede de infinito nos habita, para citarmos os títulos de alguns destes textos.
São escritos que nos tornam mais atentos ao quotidiano, que nos incitam «a perscrutar os sinais portadores de futuro que toda a realidade esconde, mesmo aquela que se apresenta mais sombria, como a doença, a morte, a falta de segurança afectiva ou a injustiça social».
Manuela Silva partindo de acontecimentos, de reflexões que cita em epígrafe, constrói um livrinho de meditações para usar a expressão com que Manuela Silva designa o livro de Bernard Feillet L’ arbre dans la mer.
As suas reflexões prolongam muitas vezes e entrelaçam-se com outras citadas em epígrafe ou no texto de Tolentino de Mendonça, João Sotomayor, Bernard Rey, João Paulo II, Bernard Feillet, Tauler, Frei Bento Domigues,O.P., Angelus Silesius, Thomas Merton, Jen-Yves Leloup, Paul Ricoeur, Leonardo Boff, António Machado, Arthur Simon, Joan Chittister, Anselm Grun, Rosinha Darcy de Oliveira, Bento XVI, António Ramos Rosa, Daniel Faria, Rita Wemans, Dom Helder Câmara, José Augusto Mourão, Suzanne Marineau, Chamalú, índio Quechucua, para além de João, Mateus, de Miqueias, de Efésios ou de outros textos bíblicos.
Espero que este livro seja lido, citado, comentado, meditado, mastigado como pão fresco, que nos ajuda a construir um modo de vida justo e a na crise descobrir raízes de futuro para citar o título de outros dos escritos, nele reunidos.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

MORREU MANUEL SERRA (1931-2010)

Manuel Serra morreu no passado domingo, vítima de um linfoma, com 78 anos.
Formado na escola da JOC (Juventude Operária Católica) opôs-se ao salazarismo, participou em revoltas armadas, e esteve preso durante muito tempo.
Recomenda-se a leitura da sua biografia feita com rigor por Joana Lopes no blogue Entre As Brumas da Memória, que podem ler aqui.
Conheci-o em grupos católicos e no Partido Socialista logo a seguir ao 25 de Abril. Liderava então um grupo autónomo, o Movimento Socialista Popular.
No Congresso de 1974 discordou da orientação para o Partido Socialista defendida por Mário Soares e Salgado Zenha, tendo sido derrotado com a intervenção activa de Manuel Alegre, que aderiu nessa altura ao Partido Socialista.
Veio a abandonar o Partido Socialista para fundar a FSP (Frente Socialista Popular). Apoiaria mais tarde a candidatura de Otelo a Presidente da República e viria a ser um dos fundadores da FUP (Frente de Unidade Popular).
Colaborou no livro Por teu livre pensamento. Histórias de 25 ex-presos políticos portugueses, Assírio & Alvim, cuja leitura se recomenda vivamente.
Tendo lamentado a sua ruptura com o Partido Socialista e o trajecto político posterior não posso deixar de recordar o homem generoso, profundamente marcado pela JOC.
Manuel Alegre recordou-o, com justiça, como "como grande figura de resistência ao fascismo, socialista de inspiração cristã, um homem romântico e corajoso”.
O corpo de Manuel Serra encontra-se na Igreja de Arroios, em Lisboa.
Amanhã, quarta-feira, pelas 14h30 será rezada missa de corpo presente e o funeral seguirá para o cemitério dos Olivais.
Que repouse em paz no dia sem ocaso.

domingo, janeiro 31, 2010

REPÚBLICA, DIGNIDADE HUMANA, CIDADANIA E INCLUSÃO

Celebrar a República deve ser uma oportunidade de valorizar tudo o que nos ideais e valores republicanos representou uma afirmação de cidadania, e abriu caminho a mais inclusão e cidadania.
Saudamos as iniciativas anunciadas pela Comissão Nacional para as Comemorações da República que podem conhecer aqui, procura no dizer de Artur Santos Silva, Presidente da Comissão “visa dar um contributo para o revigoramento das práticas cívicas e de aproximação entre os cidadãos e a política, promovendo, também e simultaneamente, o reforço da identidade nacional, referências fundamentais para podermos aspirar a um futuro mais ambicioso e estimulante”, como podem ver aqui.
Estes objectivos não podem esquecer que, como também afirmou Artur Santos Silva: “A proclamação da República marcou profundamente a sociedade, as instituições e a cultura em Portugal. Os valores da dignidade da pessoa humana, da liberdade, da igualdade e da justiça passaram a ser mais veementemente afirmados”.
Celebrar a República é também uma oportunidade para difundir um melhor conhecimento da Constituição da República Portuguesa, que representou a abertura da República à ideia de uma comunidade constitucional inclusiva.
Portugal, como se afirma no art.1.º da Constituição é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.
A afirmação da dignidade da pessoa humana confere, por si só, uma dinâmica inclusiva à República Portuguesa.
A soberania reside no povo, que é composto pelos cidadãos portugueses, que são “todos aqueles que como tal sejam considerados pela lei ou por convenção internacional”, como refere o art.4.º da Constituição.
Coerentemente com o respeito da dignidade humana, a Constituição consagrou no art.15.º o princípio do tratamento nacional dos cidadãos estrangeiros e dos apátridas que se encontrem ou residam em Portugal.
Portugal não é um Estado assente numa base étnica, o que se reveste de uma enorme vantagem competitiva num mundo marcado por particularismos excluentes, pelo racismo e pela xenofobia. Portugal é uma construção política assente, repito-o, na dignidade humana e na vontade popular e empenhado na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.
Vale a pena recordá-lo quando vemos, por exemplo, que na República Francesa, a identidade nacional que já foi uma identidade aberta e inclusiva se tornou uma identidade excluente e fomentadora de xenofobia. A manipulação da identidade nacional por Nicolas Sarkozy, levou à criação de um Ministério com a designação insólita de Ministério da Imigração, da Integração, da Identidade Nacional e do Desenvolvimento Solidário, cuja supressão tem sido reclamada, com bons argumentos por um conjunto alargado de cidadãos, como podem ver aqui e a um debate sobre a identidade nacional marcado desde o início pela desconfiança, como foi assinalado entre outros por Emmanuel Todd aqui, não competindo ao poder político decretar o que é ser francês, como referiu Patrick Weil aqui.
Não podemos ignorar a crise económica, o desemprego em Portugal, nem as derivas identitárias em França, as manifestações de racismo puro e duro em Itália, a grave crise económica na Grécia, porque não vivemos isolados na Europa, quando celebramos o Centenário da República.
Temos bons motivos para celebrar a República, aproveitando a oportunidade para procurarmos concretizar de uma forma mais exigente os valores constitucionais, sem nunca esquecer que o patriotismo tem de ser progressista e cosmopolita e assente numa ideia de comunidade política inclusiva.
Portugal é hoje muito diferente que era em 1910, somos cada vez mais uma nação plural e cosmopolita, e todos somos cidadãos com os mesmos direitos e os mesmos deveres e com a obrigação de respeitar a dignidade humana e os direitos dos imigrantes.

REGISTO

Na revisão do Plano Regional de Ordenamento,
Lisboa entra a perder

Duarte d' Araújo Mata,
arquitecto paisagista, eleito deputado municipal do PS pela associação cívica “Lisboa é Muita Gente” publicou um estimulante artigo no Público, que podem ler aqui.
A importância das questões suscitadas não deixará de despertar o interesse dos que consideram essencial que o Plano Verde aprovado em Lisboa se reflicta no novo PDM (Plano Director Municipal) e naturalmente no novo PROT-AML (Plano Regional de Ordenamento da Área Metropolitana de Lisboa).
Lisboa não pode perder esta batalha.

terça-feira, janeiro 26, 2010

AGENDA CULTURAL (34)


OUVI DO VENTO
de MANUELA SILVA
Editora Pedra Angular
Apresentação
de ISABEL ALLEGRO
Dia 28 de Janeiro, às 18h30
Livraria Assírio & Alvim
Rua Passos Manuel, 67 B, Lisboa

domingo, janeiro 24, 2010

ANTÓNIO LINO NETO - UM PARLAMENTAR CATÓLICO NA I REPÚBLICA

António Lino Neto, Intervenções Parlamentares, 1918-1926, livro organizado pelo Centro de Estudos de História Religiosa, da Universidade Católica Portuguesa, coordenado por António Matos Ferreira e João Miguel Almeida, editado pela Assembleia da República em colaboração com a Texto Editora, “constitui um documento de grande interesse para a compreensão de um lado menos conhecido da Primeira República Portuguesa – a saber, a intervenção dos republicanos católicos na vida cívica e parlamentar”, como refere Guilherme d' Oliveira Martins aqui.
A apresentação realizada na Assembleia da República para além das intervenções de António Matos Ferreira, de João Miguel Almeida e de Manuel Clemente, contou com a participação de Jaime Gama, que, como Presidente da Assembleia da República, situou esse lançamento no quadro das iniciativas que visam comemorar o primeiro centenário da proclamação da República.
Este trabalho integra-se num projecto mais amplo sobre «Os católicos portugueses na política do século XX - a reflexão e intervenção de duas gerações: António Lino Neto e Francisco Lino Neto”. É uma forma de procurar balizar temporalmente uma intervenção: entre António Lino Neto, deputado do Centro Católico na Primeira República e Francisco Lino Neto, seu filho, oposicionista a Salazar, militante do Partido Socialista no post 25 de Abril, mas não poderá esquecer que depois de Francisco Lino Neto, muitos outros católicos continuaram a ter uma intervenção política e inclusive parlamentar de relevo no século XX.
Manuel Clemente refere no prefácio que “ficamos a dispor duma informação indispensável para compreendermos a movimentação interna e externa do catolicismo português na I República”.
O livro reúne uma tábua cronológica das intervenções parlamentares, seguida de transcrições, projectos de lei e pareceres, correspondência, fotografias, um índice onomástico e de uma excelente biografia de António Lino Neto da autoria de João Miguel Almeida, que como refere Manuel Clemente “vem dedicando uma criteriosa atenção ás relações entre o catolicismo e o Estado no século XX português, avultando o seu trabalho A oposição católica ao Estado Novo, 1958-1974”, que nos referimos aqui.
A consulta e publicação de fontes primárias como as que constam deste livro torna-o uma obra de referência não apenas pelas razões já aduzidas, mas também porque contribui para desfazer mitos, nomeadamente, sobre o comportamento como parlamentar de Salazar, como sublinhou José Pedro Castanheira no artigo “ O dia em que Salazar foi deputado”, publicado na Actual, Expresso, de 23 de Janeiro de 2010, pp. 12-13.e Daniel Melo no blogue Peão aqui.
Só com base em trabalhos com a qualidade deste será possível conhecer melhor e questionar a forma como se processou a integração dos católicos militantes na I República, que tão criticada foi pelos católicos monárquicos que criaram uma palavra pejorativa “catolaicos” para designar os que defendiam a participação dos católicos nas instituições republicanas, na linha que, aliás, era preconizada pelo Papa Leão XIII.
António Lino Neto, como presidente do Centro Católico, empenhou-se num sincero entendimento com a República, distinguindo entre o regime republicano e leis ou aspectos de leis, que mereciam a sua oposição e crítica.
É também de sublinhar as intervenções que fez contra as ditaduras de direita que iam surgindo noutros países europeus.
Na sessão nº 163, de 19 de Novembro de 1923, afirmou: “É necessário que a atmosfera de desconfiança que por toda a parte se vem desenvolvendo contra os políticos se não acentue mais nem torne possível entre nós movimentos como os que lá fora determinaram a ascensão ao Poder de Mussolini em Itália e de Primo Rivera em Espanha”.
De sublinhar que a biografia de António Lino Neto por João Miguel Almeida, conjuga rigor científico e qualidade literária, que nem sempre andam juntos.
Este livro insere-se na Colecção Parlamento, que tem dedicado livros igualmente de grande qualidade a outros ilustres parlamentares das mais diversas orientações políticas e ideológicas.

domingo, janeiro 17, 2010

AGENDA CULTURAL (33)

Lançamento do livro António Lino Neto: Intervenções Parlamentares (1918-1926), organizado pelo CEHR (Centro de Estudos de História Religiosa) da Universidade Católica Portuguesa, editado pela Assembleia da República em parceria com a Texto Editora, Lda, na Colecção Parlamento, no próximo dia 20 de Janeiro, às 18, 30, na Sala de Leitura da Biblioteca da Assembleia da República.
O livro será apresentado pelo Prof. Doutor Manuel Clemente e pelos coordenadores da obra, Prof. Doutor António Matos Ferreira e Mestre João Miguel Almeida, responsável pelo texto biográfico de António Lino Neto nele inserido.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

MANUEL ALEGRE - CANDIDATO A PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Este blogue apoia a candidatura à Presidência da República de Manuel Alegre.
Pode ver aqui o anùncio da disponibilidade para se candidatar a Presidente da República anunciado num jantar com apoiantes em Portimão.
Como escrevemos aqui pelas razões que aí referimos todos os que confiam nos portugueses e no futuro de Portugal têm um encontro marcado com Manuel Alegre.