sábado, outubro 10, 2009

AGENDA CULTURAL ( 27 )

Em co-organização com a Atalanta Filmes, o Le Monde diplomatique - edição portuguesa promove um ciclo de três debates (coord. de José Mapril), a seguir à exibição de Welcome, no Cinema King (Lisboa).
O primeiro debate teve lugar na passada sexta-feira, dia 9 de Outubro.
Estiveram em discussão Ilegalidade, fronteiras e imigração na Europa, com a participação de José Mapril (CRIA), Lorenzo Bordorano (CRIA) e Victor Pereira (IHC).
O segundo debate tem como tema Trabalho (in)formal e (in)documentação, com José Nuno Matos (ICS) e Rahul Kumar (ICS), no dia 14 de Outubro, 4.ª feira. A exibição do filme começa às 21h30.
As políticas da (in)documentação, com José Tolentino Mendonça (escritor) e Lídia Fernandes (SOLIM), serão discutidas no terceiro debate no dia 23 de Outubro, 6.ª feira.
Trailer do filme (legendado)

sexta-feira, outubro 09, 2009

MANUEL ALEGRE APOIA ANTÓNIO COSTA E UNIR LISBOA

António Costa e a sua lista representam aquela esquerda que pode vencer, mas neste momento ele representa mais do que o Partido Socialista, representa mais do que essa esquerda, representa mais do que os cidadãos que estão com ele, representa mais do que ele próprio, representa um projecto de abertura, um projecto inovador para unir Lisboa agora, para vencer e para unir Lisboa depois (…)
Só há uma maneira de renovar a Democracia, é vencer essa doença tão antiga do sectarismo, é pelo diálogo, é pela abertura, é pela inovação, é sabendo ouvir o outro, é sabendo falar ao outro
”, disse Manuel Alegre, muito aplaudido pela pequena multidão que enchia a Rua Augusta. “É essa a característica e originalidade inovadora desta lista encabeçada por António Costa”, sublinhou…
Para Manuel Alegre, as eleições autárquicas na capital são uma escolha entre “um projecto, que tem uma equipa competente” e a “estratégia nenhuma” de “uma espécie de malabarista solitário”, numa referência ao candidato social-democrata, Santana Lopes. “Consistência e leviandade”, “responsabilidade e demagogia”, “um projecto que procura mobilizar as pessoas” e o “populismo” de “ideias avulsas”, são outros opostos que, segundo Alegre, se defrontam no combate eleitoral da capital(….)
O ex-candidato presidencial considerou que a corrida à Câmara de Lisboa “é evidente que é uma escolha entre a esquerda e a direita”, mas também da Lisboa que se quer ter. O apelo que lançamos à cidade de Lisboa, de se unir para termos um governo de confiança, é uma mensagem que está a ser escutada, que está a ser ouvida e está a ter uma resposta clara”, afirmou. “Estamos aqui todos porque queremos continuar a ter uma Câmara de confiança à frente da cidade de Lisboa”, sublinhou.
Ver texto mais completo no sítio de Manuel Alegre aqui.

quarta-feira, outubro 07, 2009

REGISTO


Apoio de Carvalho da Silva a António Costa


Manuel Carvalho da Silva, líder da CGTP e militante do PCP, declarou hoje o seu apoio à candidatura de António Costa à Câmara Municipal de Lisboa.
"É preciso para Lisboa e para os lisboetas que António Costa ganhe as eleições", disse Carvalho da Silva no Chiado.
Blogue Unir Lisboa aqui.

segunda-feira, outubro 05, 2009

AGENDA CULTURAL ( 26 )

O cheiro de Deus
Na poesia de Adília Lopes

- trânsito da crença na poesia de Adília Lopes
Iniciativa do projecto Bíblia, Comunicação & Arte da Universidade Católica Portuguesa, ancorado na Faculdade de Teologia e no Centro de Estudos de Religiões e Culturas
7 de Outubro, pelas 15 horas
Temas abordados:
“A poesia como lugar teológico”
“As armas desarmantes de Adília Lopes”
“Deus é a nossa mulher-a-dias”
Participam: Peter Stilwell, Rosa Maria Martelo, José Tolentino de Mendonça.
Moderam. João Lourenço (FT-CERC), Maria Antónia de Vasconcelos (Didaskália), Alfredo Teixeira (IUCR-CERC)
18h,30 - Recital por Adília Lopes
Lançamento de “Dobra” Poesia Completa

sábado, outubro 03, 2009

ANTÓNIO COSTA - UNIR LISBOA

As eleições autárquicas em Lisboa são uma escolha decisiva entre dois candidatos, duas candidaturas e duas ideias totalmente diferentes para a cidade. É preciso sublinhar que é uma opção decisiva e que só estão em causa duas candidaturas para Presidente da Câmara, a de António Costa e a de Pedro Santana Lopes.
António Costa é o candidato do PS, que se abriu não apenas aos candidatos identificados com o movimento Cidadãos Por Lisboa de Helena Roseta ou de Lisboa é Muita Gente de José Sá Fernandes, mas também de muitos outros independentes, como os do CLAC, Cidadãos Lisboetas Apoiam António Costa. António Costa bateu-se por uma unidade à esquerda mais ampla, mas o Bloco de Esquerda e a CDU recusaram-na. Pedro Santana Lopes é o candidato de toda a Direita, reunida numa coligação do PSD/CDS/PP/PPM/MPT- Partido da Terra. Só estes dois candidatos concorrem verdadeiramente a Presidentes da Câmara de Lisboa. Os restantes candidatos de outros partidos de esquerda não concorrem a Presidentes de Câmara. Concorrem apenas a vereadores, porque o Presidente da Câmara é o candidato que encabeça a lista mais votada e não é escolhido pelos vereadores eleitos. Votar nessas listas é dispersar votos que são necessários para que António Costa possa governar a Câmara de Lisboa. A esquerda não deve concentrar os votos em António Costa, não deve ser burra, como referiu Boaventura de Sousa Santos aqui.
Lisboa depois da falência, da confusão e da paralisia em que a mergulharam a gestão da Direita, não pode ser mais uma cidade de oportunidades perdidas. O jovem escritor Jacinto Lucas Pires na sessão de apresentação da Comissão de Honra da Candidatura Unir Lisboa, que pode consultar aqui, referiu que é necessário recusar a lógica do foguetório, do populismo e da demagogia barata, que caracterizam a candidatura de Pedro Santana Lopes. António Costa representa, pelo contrário, a vontade de fazer de Lisboa uma cidade das pessoas, uma cidade amigável, uma cidade sustentável, uma cidade competitiva, inovadora e internacionalizada, uma cidade próxima e participada, uma cidade de oportunidades, cujo programa pode conhecer aqui.
Neste contexto, justifica-se que a esquerda se una em torno de António Costa, mas não apenas a esquerda, todos os cidadãos que amam Lisboa, que consideram que merece ser governada por uma equipa que faz bem. A Comissão de Honra da Candidatura de António Costa e o Concerto Todos Por Lisboa aqui exprimem bem a unidade de gerações, de actividades profissionais, de gente com diferentes orientações políticas, que estão empenhados numa boa governação para Lisboa, que é uma cidade maravilhosa, com uma luz magnífica, com gente cuja riqueza e diversidade cultural é uma oportunidade para fazer uma grande metrópole cosmopolita,
Depois de ter sido arrumada a casa na Câmara e pagas as dívidas, a cidade mexe, os pavimento foram recuperados, os espaços verdes estão a ser preservados, muitas casas estão a ser reabilitadas, bem como jardins ou logradouros, as pessoas sentem-se respeitadas na sua diversidade e que a sua diversidade cultural é uma oportunidade e não um fardo para a cidade, os mais velhos voltam a jardins que tinham sido abandonados e degradados e recomeçam os seus jogos de cartas, aumentam as vias cicláveis e os corredores bus. Naturalmente que muito há que fazer para tornar Lisboa uma cidade mais amigável, mais limpa, mais segura, para assegurar melhor mobilidade, para dotar Lisboa de melhores escolas, que assegure mais oportunidades para todos incluindo os jovens e os idosos, uma cidade de bairros, em que o comércio, o turismo, a ciência e a cultura, as novas industrias, e o empreendorismo criem empregos decentes.
Só pode unir Lisboa quem foi capaz de unir em torno de si cidadãos de grande competência, vindos da esquerda, de alguma direita que ama a Cidade, ou sem qualquer filiação política, quem promove o respeito pelas diferentes correntes espirituais da cidade e pela tolerância, quem sendo laico participou nas procissões católicas tradicionais da cidade, valorizou as raízes judaicas e islâmicas. Só Antonio Costa e a listas do PS, abertas aos cidadãos independentes, podem fazer de Lisboa uma cidade das pessoas, uma grande metrópole cosmopolita uma cidade global, como já fomos no passado e temos o direito e a possibilidade de ser de novo no futuro.

domingo, setembro 27, 2009

PRÉMIO: "ESTE BLOG É VICIANTE"

Carlos Santos do blogue O Valor das Ideias distinguiu-nos com o prémio “Este Blog É Viciante ”, o que muito nos honra porque O Valor das Ideias é um dos blogues mais viciantes, porque é sempre informado, inteligente e argumentado. Apenas por ter sido ele a distinguir-nos que não o incluímos nesta lista de dez blogues que consideramos viciantes e indicamos por ordem alfabética:

sábado, setembro 26, 2009

AGENDA CULTURAL ( 25 )

ENZO BIANCHI
PARA UMA ÉTICA PARTILHADA
Conferência – dia 30 de Setembro de 2009, pelas 11,30m
Universidade Católica Portuguesa, Auditório Cardeal Medeiros
Rua Palma de Cima, Lisboa.
(Entrada Livre)
Organização Faculdade de Teologia / UCP/
Vigararias I a IV de Lisboa

Enzo Bianchi fundou a Comunidade Monástica de Bose, em 8 de Dezembro de 1965, dia em que terminou o Concílio Vaticano II.É um profundo conhecedor da espiritualidade das tradições cristãs e está empenhado num diálogo permanente e exigente com o mundo contemporâneo. Foi recentemente editado entre nós o livro com o mesmo título, pela editora Pedra Angular, sobre que pode saber mais aqui.

domingo, setembro 20, 2009

PS – UMA FORÇA TRANQUILA PARA GANHAR AS ELEIÇÕES

Entramos na semana decisiva para as eleições legislativas e não posso deixar de chamar, uma vez mais, a atenção para a importância de que se revestem para o futuro de Portugal, dos portugueses e dos imigrantes que aqui residem e trabalham.
A alternativa é entre José Sócrates e o PS e Manuela Ferreira Leite e o PSD, entre a Esquerda democrática e reformadora e a Direita conservadora e neoliberal.
A campanha tem sido esclarecedora, tem modificado a opinião de muitos eleitores, e o PS deve prosseguir no rumo que tem traçado: explicar as políticas que tem procurado concretizar, assumindo que foram cometidos erros na preocupação de assegurar o interesse geral, ou numa linguagem mais familiar a muitos cidadãos na preocupação de assegurar o bem comum e, sobretudo, explicar a estratégia para fazer avançar Portugal de 2009 a 2013.
Devemos continuar a traçar o nosso próprio caminho, como José Sócrates está a fazer, e não andar à roda como baratas tontas em função dos faits-divers. É lamentável que Manuel Ferreira Leite, em vez de fazer a explicitação das suas políticas, viva em função das notícias sobre a compra de votos no PSD, sobre a inventona das escutas do Governo a Belém e episódios semelhantes, misturando tudo isso com a farsa do discurso do medo, mas para ela no próximo fim de semana chegará a hora da verdade.
O que é importante é continuar a mostrar ao País que José Sócrates e os socialistas são uma força plural, mas que nesta batalha decisiva para a derrota da Direita, que aspira a reunir uma maioria parlamentar um Governo e um Presidente, estão todos unidos no essencial neste combate. A presença de António José Seguro, como cabeça de lista por Braga, a participação de Manuel Alegre no comício de Coimbra ao lado de José Sócrates, mostra claramente quanto prezamos o pluralismo e que ele é uma força, não um sinal de fraqueza. Não é a vitória do PS, que é um partido plural, que pode constituir um perigo para todos os que de nós divergem, mas seria uma eventual vitória de Manuela Ferreira Leite, que afastou das listas dirigentes do PSD que dela discordam, que constituiria um perigo para o democracia, tanto mais que assume como um modelo a asfixia democrática existente na Madeira.
Aproveitemos esta semana para continuar a semear o futuro de esperança e confiança nas nossas capacidades colectivas, para falarmos das políticas que pretendemos concretizar para reforçar a economia portuguesa e combater o desemprego, como vamos continuar a trabalhar para assegurar a sustentabilidade e eficácia do Estado Social, mais e melhor educação, saúde e segurança social.
José Sócrates não tem de se preocupar com intrigas a propósito das relações entre o Governo e Belém, deve continuar a pautar a sua actuação por uma impecável cooperação institucional. Há muita gente que apoia o PS e que não é candidata a nada para se ocupar disso com bom senso e inteligência como se vê, por exemplo, aqui ou aqui.
Se prosseguirmos com serenidade o nosso rumo, se não nos deixarmos enredar nos faits-divers, estou certo que continuaremos a engrossar como força tranquila, a subir nas sondagens e mereceremos uma nova vitória nas eleições legislativas.
As escolhas política essenciais colocadas aos portugueses, são, pois, muito claras, como refere o programa eleitoral do Partido Socialista, entre um programa de iniciativas para vencer a crise quanto possível ou cruzar os braços e ficar sempre à espera que a crise passe; entre prosseguir a modernização do País para preparar o futuro, ou ao invés, parar tudo e andar para trás; entre reforçar as políticas sociais, e o Estado social ou fazê-lo recuar para a condição de Estado mínimo.
Como afirmou ontem Manuel Alegre em Coimbra, como podem ver aqui, ao lado de José Sócrates e Ana Jorge: Um regresso deste PSD seria uma regressão na economia, nas políticas públicas, nos direitos sociais e na qualidade da democracia. A lógica do Estado mínimo, a retirada do Estado das políticas públicas sociais traz consigo uma lógica de asfixia social. E com asfixia social, sim, é que há asfixia democrática. Manuel Alegre acrescentou: Portugal precisa de um Governo da esquerda possível, do PS. Portugal não precisa do regresso da direita, precisa de um Governo de esquerda, da esquerda possível e esse Governo é o Governo do PS. Manuel Alegre frisou: Meu caro José Sócrates, Portugal precisa de um Governo que seja capaz de se renovar, de se repensar, de ser ele próprio um factor de mudança e de procurar novas soluções para esta crise estrutural. Sobretudo, é preciso nunca esquecer que o poder não é um fim em si mesmo, mas um meio para servir as pessoas.
Que ninguém se iluda no Centro-esquerda e na Esquerda, só o PS pode impedir a vitória da Direita. O eventual crescimento do BE ou do PCP à custa do PS teria um sabor muito amargo e consequências dramáticas se tivesse como consequência a vitória da Direita e de Manuela Ferreira Leite.
A realização do essencial dos projectos da Esquerda passa nestas eleições pela vitória do PS e de José Sócrates. O PS se prosseguir, com serenidade e determinação, a campanha que tem feito, como estou certo que fará, merece a confiança dos cidadãos e a vitória nas eleições legislativas.

sábado, setembro 19, 2009

REGISTO

NOVO BLOGUE

À porta das eleições, os ânimos aquecem, a incerteza aumenta, os cães ladram e a caravana passa.Este é o espírito do novo blog, "Cães como tu", http://caocomotu.net/, que inclui várias autores ligados à Revista ops! e à Corrente de Opinião Socialista de Manuel Alegre, entre outros autores independentes: Nuno David, Elísio Estanque, Pedro Tito de Morais, Jorge Martins, Luis Novaes Tito, Manuela Neto, Paulo Peixote, Luis Moita, entre outros.Sacode as pulgas da consciência, rebenta as trelas do conformismo, morde os donos que te querem açaimar. Liberta-te. Descobre o cão que há em ti!

Acompanha o blog, http://caocomotu.net/

quarta-feira, setembro 16, 2009

VIAJAR PELO MUNDO SEM SAIR DA MOURARIA


TODOS - Caminhada de Culturas não foi um evento efémero. Foi um passo decisivo na generalização da descoberta de que é possível viajar pelo Mundo sem sair de Lisboa e que devemos começar pela Mouraria (Lisboa).
José Rosa é responsável, conjuntamente com a australiana Kaye Menner, do blogue de fotografias KJ - KAYE AND JOSE - AMAZING PHOTOS, no qual se referiu a esta iniciativa como podem ver aqui, de quem já publicámos uma excelente fotografia aqui.
José Rosa enviou-nos agora estas duas outras excelentes fotografias inéditas, que temos muito gosto em editar.
Estas fotografias prolongam as de Georges Dussaud, que pode ver até 8 de Outubro na Rua da Mouraria, perto do Martim Moniz. Devem também ver a Exposição Colectiva de Fotografia de Georges Dussaud, Luís Pavão, Luísa Ferreira, Camila Watson e Carlos Morganho, que se encontra no Arquivo Fotográfico, Rua da Palma 246, até 8 de Outubro, as fotografias de Luís Pavão até 10 de Outubro no Centro Comercial da Mouraria, os 20 anos de Fotografia de Luís Pavão nos Amigos do Minho, Rua do Benformoso, 244, 1, até ao Natal.
É um renovado convite a palmilhar e descobrir Lisboa, tornada possível pela iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, presidida por António Costa, para quem as pessoas, neste caso, da Mouraria são o coração de Lisboa.

domingo, setembro 13, 2009

TODOS - CAMINHADA DE CULTURAS

VIAJAR PELO MUNDO SEM SAIR DE LISBOA
Lisboa é uma cidade construída através de uma profunda mestiçagem cultural e biológica ao longo de séculos, onde conviveram e se misturaram diversos povos e culturas, que sempre que se assumiu como cidade cosmopolita foi uma grande metrópole internacional e que sempre que se tornou intolerante, entrou em decadência.
António Costa na inauguração de Todos – Caminhada de Culturas aqui, referiu que antes de Richard Florida e das suas ideias sobre cidades criativas já Antero de Quental nos tinha alertado para o facto de que não há progresso e desenvolvimento sem tolerância.
Lisboa com António Costa tem vivido sob o signo da tolerância como já referimos aqui, no respeito pela diversidade cultural e espiritual, pelo que cada cidadão tem de livre e de diferente.
O evento Todos - Caminhada de Culturas, que já referimos aqui, foi uma extraordinária iniciativa cultural e social, de uma cidade amigável, que valoriza a participação, a criatividade e a diversidade dos cidadãos.
Este evento integrou-se na programação de LEM (Lisboa, Encruzilhada de Mundos) da responsabilidade da vereadora Manuela Júdice, em parceira com a Academia de Produtores Culturais, e contou com a concepção de Miguel Abreu, Madalena Victorino, Giacomo Scalisi e Inês Barahona.
Neste evento que teve sempre no centro as pessoas da Mouraria, “o Bairro mais multicultural de Lisboa” com escreveu Alexandra Prado Coelho no Público aqui, cruzaram-se fotografia, música, cinema, dança, gastronomia, envolvendo alfacinhas com novos lisboetas provenientes de outras regiões do país, da África, da Ásia, do Leste da Europa.
É preciso que se saiba em todo o país e no estrangeiro que é possível viajar pelo mundo sem sair de Lisboa e que a Mouraria é um dos bairros de Lisboa por onde se deve começar.
Envolver os cidadãos, respeitando a sua dignidade, valorizando a sua diversidade, e fomentando a sua participação é a chave para a reabilitação e o desenvolvimento urbano e não há desenvolvimento sem mobilização da dimensão cultural e da participação dos cidadãos.
Esta preocupação de envolver os cidadãos está muito presente na forma como foi utilizada a fotografia, desde os auto-retratos de Carlos Morganho, realizados com a participação directa dos fotografados, até às fotografias dos residentes da autoria de Camilla Watson, Carlos Morganho, Georges Dussaud, Luis Pavão, Luísa Ferreira, Helena Gonçalves, quer as que foram expostas no Arquivo Fotográfico aqui, quer nas frontarias dos prédios do Martim Moniz e no Beco das Farinhas, sem esquecer as exposições fotográficas no Centro Comercial da Mouraria e no Grupo Excursionista Recreativo dos Amigos do Minho.
A vida e a arte devem estar entrelaçadas. A arte deve contribuir para dar mais cor, sabor e nitidez à vida e é muito inspirador que este evento se intitule caminhada de culturas, o que aponta para um ir mais além, para a abertura e não para o fechamento. O comércio, muito presente na Mouraria, foi sempre um meio através do qual as religiões e culturas se transmitiram e se cruzaram.
Tive oportunidade de seguir um grupo indiano, o Jaipur Maharaja Brass Band, no sábado de manhã desde o Largo do Intendente até ao Martim Moniz passando pela Rua do Benformoso e devo dizer-vos que vale a pena habituarmo-nos a palmilhar Lisboa, a conhecê-la na sua diversidade. Não há nenhuma razão para que não continuemos a palmilhar Lisboa, da Igreja de S. Domingos, no Rossio, aos Anjos.
A Mouraria era conhecida a nível nacional pela procissão de Nossa Senhora da Saúde, acontecimento espiritual e cultural de grande significado. Passou agora a contar anualmente com um evento cultural que tem como vocação mobilizar toda a diversidade cultural existente e que contribuirá para a projecção de Lisboa como grande metrópole cosmopolita a nível nacional e internacional.
Imagem retirada do sítio da Câmara Municipal de Lisboa aqui, na qual se vê a forma como as fotografias realizadas por Georges Dussaud foram expostas no Martim Moniz.

domingo, setembro 06, 2009

TED KENNEDY - ELOGIO DE UM HOMEM IMPERFEITO

Há agentes políticos, culturais ou sociais, religiosos, agnósticos ou ateus, que procuram transmitir, ou que são apresentados com uma imagem de exemplaridade, que os erguem como figuras que as multidões endeusam e adoram. Não deixo de me interrogar se essas manifestações não são uma “religiosidade de substituição” e se o facto de eu ser católico me torna ateu perante esses cultos.
O cidadão comum é trabalhado pelos médias para amar, endeusar ou para odiar. É mais difícil aceitar que algumas destacadas figuras públicas, homens ou mulheres, tiveram aspectos positivos e negativos na sua vida pessoal e actuação pública, que apesar de serem homens ou mulheres imperfeitos fizeram grandes obras, que ajudaram muitas pessoas a viver com dignidade e que por isso merecem o nosso respeito e gratidão, o nosso afecto, mas não a nossa adoração.
Devo dizer que andava a hesitar escrever sobre a morte de Edward Moore Kennedy, conhecido por Ted Kennedy, que podem conhecer melhor aqui, mas foi o inteligente artigo de Anselmo Borges no DN aqui, que me decidiu a fazê-lo, bem como, o facto da sua morte não ter merecido a referência que merecia nos blogues, com honrosas excepções, nomeadamente, aqui ou aqui.
Ted Kennedy disse, numa carta que tinha enviado recentemente ao Papa Bento XVI, que sabe que foi um homem imperfeito, o que ninguém contestará. Não é por isso que merece ser recordado, mas pelo facto de ter sabido sempre recomeçar de novo e ter sido sempre fiel a uma atitude e a uma prática política que teve objectivos muito determinados. Na carta referida por Anselmo Borges, Ted Kennedy afirma: “Dei o meu melhor para embandeirar os direitos dos pobres e abrir portas de oportunidades económicas. Trabalhei para receber os imigrantes, combater a discriminação e ampliar o acesso aos cuidados médicos e à educação.” Poderia ter acrescentado que lutou sempre pelos direitos civis, pelos direitos dos imigrantes, pelo controlo das armas de fogo, pelo salário mínimo, para assegurar a cobertura de saúde dos milhões de americanos sem seguro de saúde, contra a discriminação em razão do sexo, ou da orientação sexual, pela despenalização da interrupção voluntária da gravidez.
Barack Obama, cuja eleição apoiou de forma decisiva, afirmou na missa de corpo presente que teve lugar na basílica de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Boston (Massachusetts): “O mundo lembrar-se-á de Ted Kennedy como defensor dos pobres, a alma do Partido Democrático,” e um grande legislador. Foi também um amigo dos portugueses e dos luso-americanos, que sempre o apoiaram, tendo sido um dos grandes defensores norte-americanos da causa de Timor-Leste e sendo responsável do Azorean Refugee Act, que permitiu a mais de 1500 açorianos afectados pelo vulcão dos Capelinhos (Faial) a emigração para os Estados Unidos.
As suas memórias intituladas True Compass, para cuja redacção contou com o apoio de Ron Powers, autor de uma biografia de Mark Twain, serão publicadas no dia 14 deste mês, permitirão conhecer melhor acontecimentos marcantes da história americana contemporânea, o assassinatos dos seus irmãos John e Robert Kennedy, as causa por que se bateu, as suas contradições e os episódios dramáticos que teve de superar, as leis para cuja aprovação contribuiu de forma decisiva e que redesenharam a América contemporânea, bem como, a sua luta corajosa contra o cancro que o vitimou.
Espero que possamos contar em breve com uma boa tradução deste livro em português e que possamos perceber melhor como é que Ted Kennedy, que assumiu ter sido um homem imperfeito, contribuiu de forma decisiva através de uma intervenção política continuada para que os Estados Unidos se tornassem uma país mais democrático, mais justo, com maior igualdade de oportunidades para todos, sem o que Barack Obama não poderia ter sido eleito presidente da República.
O sucesso de algumas das suas causas, designadamente em matéria de acesso universal à saúde não está ainda garantido e defronta grandes resistências e isso preocupava-o. Devemos recordar que considerou que com Barack Obama “o sonho continua vivo”.
Por tudo isto não podemos deixar de estar gratos pelo legado político que deixou e perceber melhor com o seu exemplo como a luta política pode ser um compromisso exigente com a construção de sociedades mais justas, que respeitem a dignidade e os direitos de todos e assegurem maior igualdade de oportunidades de realização pessoal.

domingo, agosto 30, 2009

NÃO PODEMOS ADIAR A ESPERANÇA NUM FUTURO MELHOR

Antes de começar a campanha eleitoral é bom que reflictamos sobre o que está em jogo nas próximas eleições legislativas e a questão é muito clara, ou o PS ganha as eleições legislativas ou ganha o PSD. Aliás, hoje, a opção é ainda mais nítida, a direita, pretende reunir as condições para assegurar uma hegemonia duradoura, assegurando uma maioria na Assembleia da República, um governo, e contando já com um Presidente alinhado com a sua agenda política conservadora.
As consequências de uma ou outra vitória serão enormes para o futuro do Portugal e terão uma tradução directa nas condições de vida dos portugueses e de todos os cidadãos residentes em Portugal.
José Sócrates lançou as bases para uma mudança profunda de Portugal, que permite preparar-se para o novo quadro económico e político internacional emergente no século XXI e enfrentar hoje com possibilidades de sucesso a actual crise económica.
Esta governação não foi isenta de erros, nem seria de esperar que o fosse. Numa altura, em que era mais difícil criticar, subscrevi uma moção crítica com Helena Roseta e disse-o de viva voz perante o Congresso do Partido Socialista, como podem recordar aqui. Continuo a considerar pertinentes as críticas então formuladas.
Não podemos, contudo ignorar, que o activo do Governo do PS, ultrapassa de longe as críticas legítimas que se possam formular a esta ou aquela área da governação.
José Sócrates soube aprender com alguns dos erros cometidos. O último Congresso do Partido Socialista representou um passo decisivo na preparação de novas propostas políticas, que encontraram tradução no programa eleitoral do Partido Socialista, que podem ler aqui, no qual considero que a generalidade dos socialistas, incluindo, os que consideram ter tido motivos legítimos de crítica, se podem reconhecer no essencial.
Não há dúvida que faz sentido votar PS para fazer Avançar Portugal, mas também para que se aplique uma agenda social, que faz parte do programa e que estou certo José Sócrates irá aplicar com a mesma determinação com que aplicou a agenda de modernização tecnológica com evidente sucesso.
A esquerda socialista, sem abdicar do seu espírito crítico e inclusive das suas divergências, só tem uma opção, tudo fazer para que o PS vença o PSD.
Francisco Louçã e o PCP enganam os eleitores de esquerda quando fazem crer que votar PS ou PSD é a mesma coisa, e que, de qualquer forma, a vitória do PS nas eleições legislativas está assegurada.
Os jovens à procura do primeiro emprego, os trabalhadores a braços com empresas em crise, os desempregados, os funcionários públicos, os sobreendividados, os reformados, os idosos empobrecidos, as pessoas que vivem em união de facto, todos os cidadãos vítimas de discriminações, não podem ficar à espera da “esquerda exemplar” que resultará um dia da recomposição da esquerda. Parafraseando Keynes, a longo prazo, pelo menos muitos de nós estaremos mortos.
Francisco Louçã só tem ilusões e muitas confusões para oferecer, como resulta com clareza da sua entrevista ao “Expresso” (29 de Agosto de 2009). O objectivo do BE é aumentar os resultados eleitorais, não é assegurar que Portugal seja governado à esquerda. A recusa do BE em participar de uma alternativa de esquerda com o Partido Socialista na Câmara de Lisboa, mostra que quando está em causa uma batalha decisiva para a esquerda, o BE só tem um objectivo procurar ter mais uns votos, demonstrando que toda a conversa sobre o diálogo à esquerda só tem para o BE como objectivo criar condições para o seu crescimento eleitoral. Se o BE nem sequer está disponível para contribuir para uma esquerda plural a nível local, é justo concluir, que assim será também a nível nacional.
Ora tudo isso é grave porque raramente esteve tão em causa como nestas eleições, a opção entre a esquerda e a direita. Mentem ao povo de esquerda todos os que procuram insinuar que os programas do PS e do PSD são idênticos.
Como alerta Boaventura Sousa Santos aqui, o cidadão comum de esquerda não pode ignorar que “o dano que a direita fará ao já minguado Estado - Providência será desta vez irreversível” (Um cidadão comum de esquerda, Radar Ensaio, Visão n.º860).
O cidadão comum de esquerda não pode por isso abster-se, ou votar apenas por protesto, não deve equivocar-se, terá de votar no PS e em José Sócrates, porque é única forma racional de lutar pela concretização da sua esperança. Não podemos adiar a esperança num futuro melhor.

quinta-feira, agosto 27, 2009

AGENDA CULTURAL (24)

PROGRAMAÇÃO
TODOS – CAMINHADA DE CULTURAS

Texto de Abertura

TODOS…
Não é um festival, é um convite para caminhar,
Passear por um dos bairros mais antigos de Lisboa,
Palmilhar S. Domingos, Martim Moniz, Intendente, Mouraria e Anjos, para passar a conhecê-los como a palma da mão.
Um fim-de-semana para:
cortar o cabelo num cabeleireiro chinês, ou africano,
dançar como em Bollywood, ou na Moldávia,
vestir um sari,
descansar na rua da Palma,
comer carne Halal, muamba, makoufe,
ouvir cânticos ucranianos da antiguidade,
deitar-se a céu aberto e, com roupa usada, desenhar continentes,
calibrar os pneus do carro a preços convidativos…
TODOS propõe ao longo de quatro dias um contacto com as culturas que habitam esta zona da cidade através das músicas, das religiões, das comidas, do comércio e das pessoas. Passeios a pé levam o público a conhecer uma pessoa na sua própria casa, a descobrir uma escadaria de azulejos à luz da vela, uma mesquita onde só os homens poderão entrar, ou lições de culinária com ida prévia às compras.
A substituir a publicidade urbana de grande formato, o fotógrafo francês Georges Dussaud instala nas paredes vazias dos edifícios imagens novas de uma população fulgurante oriunda de vários pontos do mundo, que vive nas sombras do bulício da cidade.
Concertos multiculturais no largo do Intendente e Martim Moniz, uma fanfarra oriental pelas ruas da Palma, Benformoso e ruelas da Mouraria, filmes documentais que falam de realidades "invisíveis" que existem no coração das cidades, pequenas peças de teatro, dança e música instaladas em lojas e associações culturais que se dão a conhecer em salas referenciais do bairro.
TODOS é um momento de uma festa internacional com enfoque nos países das pessoas que vivem nesta zona da cidade. TODOS é um espaço de reconhecimento e celebração
de uma Lisboa outra e nova que devemos incluir definitivamente na nossa identidade urbana.
Um programa que se desenha num jogo informal de diálogos culturais, encontros entre moradores e artistas, vivificação de espaços, trocas entre culturas, encontros entre tradições portuguesas e estrangeiras. Um programa que se faz de eventos maiores de rua e de acontecimentos mais pequenos que ligam o público à comunidade e aos artistas convidados. Lojas, restaurantes, cabeleireiros, lugares de culto e associações tornam-se também protagonistas nesta caminhada que se deseja festiva. Caminhada para o cruzamento dos povos que habitam a cidade e que são também afinal lisboetas.
Para conhecer a programação ver aqui .

domingo, agosto 23, 2009

ANTÓNIO COSTA - AS PESSOAS SÃO O CORAÇÃO DE LISBOA

As próximas eleições são uma escolha entre competência e incompetência, entre rigor e irresponsabilidade, mas também entre uma política que considera que as pessoas são o coração de Lisboa e a que continua a privilegiar a realização de obras que apenas encham o olho, em suma entre António Costa e a Coligação de Direita.
António Costa procurou assegurar a mais alargada colaboração que foi possível e as listas do Partido Socialista para a Câmara e para a Assembleia Municipal integram independentes e cidadãos identificados com os movimentos Cidadãos por Lisboa que podem conhecer melhor aqui e Lisboa é Muita Gente, que podem conhecer melhor aqui. Três listas do Partido Socialista para as Freguesias englobam também cidadãos identificados com o movimento Cidadãos por Lisboa, como por exemplo, a de Benfica aqui.
É uma iniciativa política inédita, portadora de um futuro melhor, que tem um grande denominador comum considerar que as pessoas são o coração de Lisboa.
A gestão de António Costa tem privilegiando a resolução de questões que contribuem de forma decisiva para melhorar a qualidade de vida dos Lisboetas, desde a recuperação de pavimentos e calçadas e da prioridade dada ao saneamento, à reabilitação urbana e às questões ambientais.
È muito significativo que na apresentação dos candidatos aos diferentes órgãos do Município; António Costa, considerando que as pessoas são o coração de Lisboa, tenha sublinhado compromissos para o próximo mandato, particularmente direccionados paras os seniores e para as crianças, como podem ver aqui.
Constatando a falta em Lisboa de 1100 camas para cuidados continuados, a Câmara já assegurou a criação de condições para a disponibilização de 80 camas e compromete-se a instalar mais 750 camas através da celebração de mais 15 parcerias com IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social).
A criação de condições para que as famílias jovens possam assegurar a educação dos seus filhos e ter ao seu dispor creches, jardins de infância e escolas, com qualidade, o que não acontecia há muito, tem sido uma das suas preocupações centrais. Na sequência do que foi realizado ou iniciado neste mandato: pequenas obras de beneficiação em 63 escolas; obras de grande beneficiação em três escolas: início de construção da nova escola no bairro do Armador; adjudicação de mais 5 novas escolas e de 2 jardins-de-infância; 16 grandes obras de beneficiação em curso; intervenção em 67 escolas até final de 2011; realização do projecto 5 escolas/5 Designers, assegurar que 6.000 alunos do 1.º Ciclo do Ensino Básico tivessem acesso a aulas gratuitas de natação; conclusão do estudo para a implementação do transporte escolar, que se reveste de importância crucial para as crianças, as famílias e a fluidez do trânsito de Lisboa.
António Costa assumiu como compromissos para o próximo mandato, designadamente: a instalação de 76 novas creches para mais 2712 crianças; a abertura de no ano lectivo de 2009/2010 de mais 250 novas vagas em jardins-de-infância, e no ano lectivo 2010/2011 de mais 250 novas vagas, para que até 2011 se criem 36 novas salas para mil crianças.
São apenas algumas das medidas do programa para o próximo mandato, que exemplificam um estilo de governação marcado pela preocupação de que os Lisboetas, que têm um custo de vida mais elevado do que os habitantes dos concelhos limítrofes, possam, em contrapartida, beneficiar de serviços públicos que lhes permitam viver com qualidade.
O nosso voto nas próximas eleições determina escolhas radicais, como escrevemos aqui.
António Costa é, como referiu Boaventura Sousa Santos aquium dos mais brilhantes políticos da nova geração de políticos de esquerda (…) Se ele sair derrotado nas próximas eleições, obviamente a esquerda é burra. Espero vivamente que não seja o caso.”
Lisboa não pode ser encarada como um negócio, económico ou político
As pessoas são o coração de Lisboa. Não podemos ficar à margem da escolha decisiva entre António Costa e Pedro Santana Lopes. Pela nossa parte, escolhemos reeleger António Costa como Presidente da Câmara de Lisboa.

domingo, agosto 16, 2009

«O SAL NA TERRA» DE PEDRO ADÃO E SILVA

"O Sal na Terra” de Pedro Adão e Silva é um livro muito interessante que nos desafia a pensar e sentir para lá dos nossos próprios limites, desorganiza os nossos hábitos de catalogação, o que é óptimo porque nos torna mais livres e despertos para o mistério das pessoas e das coisas
José Tolentino de Mendonça pegou-lhe pelo mar, situou-o no quadro de ler o mar, e concluiu de forma salutarmente provocante que este “não é apenas um manual para surfistas. É um dos mais belos livros de poesia”.
Não tendo o privilégio de ser um iniciado no surf não me cabe, aliás, avaliar a utilidade do livro como manual, apenas direi que se o tivesse lido há alguns anos teria estado muito atento a tudo o que me pudesse proporcionar uma iniciação ao surf.
Li-o apenas pelo prazer que a sua leitura proporciona. Esperei pelas férias para estar junto ao mar, para ter condições de contemplação, para ter o prazer de o ler e não fiquei decepcionado. É um livro muito bem escrito, que deixa transparecer a cultura e a sensibilidade do autor, e no qual encontro muitas referência culturais que nos são comuns, como Ruy Belo, Sophia, François Truffaut, Fellini, Ítalo Calvino, Fernando Pessoa/Bernardo Soares/Alberto Caeiro.
O título do livro é muito adequado e não deixa de ser curioso que um ateu confesso, como afirma ser Pedro Adão e Silva, se tenha inspirado numa expressão “atribuída a Cristo no Evangelho segundo São Mateus (o «Sal da Terra» - capítulo 5, versículo 13)”.
O livro, independentemente de qualquer preocupação classificatória, é sobretudo uma reflexão profunda e poética sobre o viver.
Pedro Adão e Silva afirma na introdução: “Quem faz surf sabe que a experiência das ondas não se limita ao mar, contamina toda a vida quotidiana e leva a que passemos a olhar com outros olhos as coisas terrestres. Para além do mais, para um surfista, a ideia de um mundo perfeito confunde-se com o prazer de deslizar sobre as ondas, o sal frio na cara, as paredes de água que se abrem à nossa frente. O essencial destes textos é essencialmente sobre essas marcas.”
É por isso que não é apenas um livro para surfistas e que um não surfista pode tirar prazer e proveito da leitura quer da primeira parte, “ O surf no mundo”, quer da segunda “O mundo do surf”.
Ao ler, por exemplo, a crónica intitulada “ A vantagem de surfar ao contrário” aprende-se alguma coisa sobre surf, mas muito mais sobre o viver, a partir da experiência desse surfista Mark Occhilupo, conhecido por Occy, baixo, corpulento, pesado, que depois de ter caído numa vida desregrada, conseguiu um regresso ao sucesso tardio e improvável.
O livro deixa perceber o prazer físico incomparável que experimentam os surfistas, e que o surf é uma actividade espiritual e não apenas um desporto. Pedro Adão e Silva parafraseando Nat Young, refere: “Ao surfar, vivemos a concretização de uma vida alternativa ou, pelo menos, a abertura a dimensões diferentes das do quotidiano”.
O livro é enriquecido por belíssimas fotos, adequadas aos textos que ilustram.
Diria que este é o livro deste Verão, a ler de preferência antes do fim de Agosto, para poder reler calmamente no Inverno quando houver melhores ondas.

sábado, agosto 01, 2009

SARA TAVARES – MÚSICA, INTELIGÊNCIA E ALEGRIA

Sara Tavares, a quem já nos referimos aqui, tem um percurso singular na vida cultural portuguesa, conjugando sabiamente a sua condição de compositora, cantora percussionista, com a sua extraordinária sensibilidade musical e com a inteligência e dignidade, que tem testemunhado. Vale a pena ouvir o seu disco “Xinti, a sua mais recente criação, em que interpreta “canções memoráveis”, como escreveu o crítico do Financial Times. Podem conhecer melhor a sua discografia aqui e começar por ouvir aqui “Ponto de Luz”, uma das canções do seu último disco.
Para perceber melhor de que é feita a sua música podem ver aqui o excelente programa Câmara Clara da RTP2, de 26 de Julho, em que Sara Tavares foi entrevistada por Paula Moura Pinheiro. É um prazer e alimenta “a sede de largura e altura” do nosso coração para citar versos de “Xinti”.
A música de Sara Tavares alimenta-se de uma grande sensibilidade e bom gosto e tem as suas raízes no gospel, na música litúrgica que cantava nos coros da Igreja Cristã em que se formou, mas abriu-se a muitas outras influências da música cabo-verdiana, africana e não só.
Sara Tavares, uma portuguesa com fundas raízes cabo-verdianas, pertence a uma geração de jovens criadores, que podemos qualificar como portugueses globais ou cosmopolitas. Não mistura apenas o português e o crioulo de Cabo Verde nas suas letras, é uma lusófona cidadã do mundo, que conjuga diversas influências musicais, que participa da crioulização cultural, que é hoje uma das dimensões da modernidade cultural.
Uma das coisas que dá gosto ver é a inteligência e a alegria da pessoa e da artista que é Sara Tavares.
Como refere Paula Moura Pinheiro, Sara Tavares “é um exemplo de inteligência, aplicada ao seu talento natural”. É também o que demonstra a forma como se refere neste programa de Câmara Clara a músicos como Boy Gê Mendes, Buika, Celina Pereira, Stevie Wonder, Lady Smith Black Mambazo, Buraka Som Sistema, Nittin Sawhney ou James Taylor.
O que nos agarra também em Sara Tavares é a alegria, que tem raízes na sua espiritualidade, como acontece com grupos de gospel como Lady Smith Black Mambazo da África do Sul. Respondendo questão colocada com delicadeza por Paula Moura Pinheiro sobre a fonte maior da sua alegria, Sara Tavares confirmou, que, de facto, a sua espiritualidade é a fonte da sua esperança, que assenta muito na fé, no seu mundo interior, na pátria interior que é grande e vasta.
As suas canções ouvem-se com júbilo. É uma música que, parafraseando alguns versos da sua canção “Sumanai”, ajuda-nos a descobrir que temos sede da “Água viva que me refresca e lava/Tudo, tudo cá dentro.”
Paula Moura Pinheiro deu-nos nesta Câmara Clara mais um dos seus excelentes programas, que neste caso ajuda a conhecer melhor Sara Tavares, um dos rostos da grande Nação que é a Língua Portuguesa.

sexta-feira, julho 31, 2009

REGISTO

Boaventura de Sousa Santos “ A Esquerda é Burra?”

“…E isto é tão válido para as eleições legislativas como para as eleições autárquicas. No que respeita a estas últimas, o caso de Lisboa será paradigmático. Parece óbvio que só por desespero se pode votar no candidato da direita. Por sua vez, o candidato principal da esquerda é um dos mais brilhantes políticos da nova geração de políticos de esquerda, só comparável ao líder da esquerda mais inovadora da última década. Se ele sair derrotado nas próximas eleições, obviamente a esquerda é burra. Espero vivamente que tal não seja o caso.”

Leia o artigo na íntegra no Radar Ensaio, publicado na revista VISÃO, n.856, 30 de Julho a 5 de Agosto de 2009.p.26 aqui.

domingo, julho 26, 2009

QUEM NÃO VOTA... NÃO CONTA

Vão realizar-se eleições para a Assembleia da República, nas quais os únicos estrangeiros que podem participar são os cidadãos brasileiros com igualdade de direitos políticos.
A participação de cidadãos estrangeiros é mais alargada nas eleições locais, apesar de não ser ainda extensível a todos os cidadãos estrangeiros residentes como seria de inteira justiça e como defendo desde há muito tempo.
O Partido Socialista já se comprometeu a eliminar a exigência de reciprocidade para os portugueses que impede que os cidadãos dos Estados em que esses direitos não são reconhecidos aos portugueses possam votar e ser eleitos neste momento. Esta posição, que é de saudar, é coerente com o facto de ter sido sempre o Partido Socialista o que abriu caminho à participação de cidadãos estrangeiros nas eleições locais.
Entretanto, foi publicado a Declaração n.º252/2009 do MNE e do MAI no Diário da República que podem ler aqui, que refere a lista das nacionalidades, cujos cidadãos estrangeiros poderão votar ou votar e ser eleitos nas eleições locais.
A lista não traz novidades. Podem votar e ser eleitos, isto é, têm capacidade eleitoral activa e passiva os cidadãos dos Estados-Membros da União Europeia, do Brasil e de Cabo Verde.
Podem apenas votar, isto é, capacidade eleitoral activa os cidadãos , da Argentina, Chile, Islândia, Noruega, Peru, Uruguai e Venezuela.
Para além dos cidadãos já recenseados, estes cidadãos estrangeiros poderão continuar a recensear-se, segundo apurámos até 11 de Agosto de 2009, para além de 29 de Julho em que termina o recenseamento para a Assembleia da República.
Infelizmente não se realizaram campanhas nacionais de sensibilização para o recenseamento, especialmente dirigidas à participação de cidadãos estrangeiros nas eleições locais, como as que se realizaram antes das eleições autárquicas de 1997 e de 2001.
Como já referimos aqui, é muito positivo o facto da Associação dos Imigrantes nos Açores estar a promover uma campanha, como podem ver aqui, pelo recenseamento e pela participação política sob o lema certeiro “Quem Não Vota...Não Conta”, como se refere no cartaz que reproduzimos.
Se tivesse havido muito mais iniciativas de informação e mobilização dos imigrantes viradas para o recenseamento de brasileiros para as eleições legislativas e de cidadãos estrangeiros das nacionalidades que referimos nas eleições autárquicas, estamos certos que seria maior o seu número nas listas que irão ser apresentadas e muito maior o número dos que iriam votar nas eleições autárquicas.
Apesar disso há milhares de cidadãos estrangeiros recenseados, que não devem esquecer que: “Quem Não Vota... Não Conta!”.

segunda-feira, julho 20, 2009

AGENDA CULTURAL ( 23 )


Homenagem a Arménio Vieira
Prémio Camões 2009

Abertura por Manuel Alegre.
Evocação da Obra por Filipa Leal.
Leituras de amigos do Poeta: Celina Pereira, José Cunha, Mito Elias, Vera Cruz e Xan.

Casa Fernando Pessoa, dia 24 de Julho, 18h30.